SÃO PAULO - No Brasil, os sequestros começaram a ter destaque na década de 1960, quando o então diretor do banco Bradesco, Francisco Beltran Martinez, passou 41 dias em cativeiro e foi libertado com o pagamento de estimados U$ 4 milhões. Desde então, casos que envolvem pessoas conhecidas mobilizam a opinião pública. Veja alguns destes casos:

Eloá Pimentel, de 15 anos

Arquivo pessoal
Arquivo Pessoal
Nayara e Eloá, mantidas como reféns pelo ex-namorado da menina

Eloá protagonizou, com seu ex-namorado, Lindemberg Alves, o maior caso de cárcere privado do Estado de São Paulo. A menina foi mantida sob a mira do ex por mais de 100 horas e, em um arrombamento de cativeiro atrapalhado, acabou morrendo. Lindemberg, chamado de Liso pelos policiais, fez como reféns, inicialmente, Eloá e três amigos. Dois deles foram libertados logo no início e ele permaneceu com a menina e sua amiga, Nayara, no apartamento. O trabalho do Gate foi questionado diversas vezes durante o sequestro, já que a amiga de Eloá saiu e voltou ao cativeiro e o arrombamento foi controverso. Por meses, após o episódio, a PM não deu declarações sobre o assunto para a imprensa e não respondeu às solicitações feitas pelo Último Segundo.

Patrícia Abravanel, filha de Silvio Santos

Em agosto de 2001, Patrícia Abravanel, filha do apresentador Silvio Santos, foi rendida na garagem de sua casa e levada por um grupo de homens. O pedido de resgate inicial era de entre U$ 1,5 e U$ 3 milhão e a polícia recebeu uma média de 500 ligações diárias com supostas informações sobre o caso. Patrícia voltou para a casa a salvo sete dias após ser rendida, mas um de seus sequestradores continuou a rondar a casa da família. Dois dias depois, o sequestrador invadiu a casa de Silvio e rendeu a família. A Polícia Militar acompanhou o caso e as exigências foram um helicóptero, a presença de uma médica (mulher) e um juiz corregedor. A irmã do homem foi transportada ao local para convencê-lo e Geraldo Alckmin, governador do Estado na época, faz parte das negociações. O advogado do homem diz que ele está com muito medo e ele se rende. A família Abravanel passa bem e o homem é encaminhado ao hospital.

Publicitário Washington Olivetto

Luciano Trevisan/Fotomídia
Fotomídia
Olivetto foi rendido no final de 2001
O publicitário foi rendido em dezembro de 2001 ao deixar sua agência W/Brasil por homens que vestiam coletes da Polícia Federal. Entre dezembro de 2001 e fevereiro de 2002, a polícia pede que a imprensa se afaste do caso e as investigações correm em sigilo. Em fevereiro, seis estrangeiros são presos suspeitos de integrar quadrilhas especializadas em sequestros. As prisões levam a polícia ao cativeiro do publicitário, no Brooklin, onde Olivetto ficou em um quarto de 3m².

Marina da Silva Souza, mãe do Robinho

AP
AP
O jogador Robinho sofreu 41 dias com o sequestro da mãe

A mãe do jogador Robinho, Marina da Silva Souza, passou 41 dias como refém, em 2004, após ter sido rendida em uma casa na periferia de Praia Grande, onde participava de um churrasco de família. A imprensa também foi mantida afastada do caso e ela foi libertada com os cabelos curtos e uma leve desitratação.

Guilherme de Azevedo Portanova, repórter da TV Globo

Um repórter e um auxiliar técnico da TV Globo foram rendidos em 2006 quando saíam de uma padaria nas proximidades da sede da emissora. Guilherme de Azevedo Portanova e Alexandre Coelho Calado foram mantidos reféns e Calado foi liberado com um DVD, que foi exibido pela emissora como condição para a liberação de Portanova. As imagens eram de um suposto integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) fazendo críticas ao sistema penitenciário e pedindo revisão de penas. O filme foi exibido um boletim de plantão e o repórter foi solto. Segundo a polícia, as mais de dez pessoas envolvidas no sequestro seriam do PCC.

Empresário Abilio Diniz

Em dezembro de 1989, Diniz foi sequestrado por um suposto grupo terrorista de esquerda chamado Movimiento de Izquierda Revolucionaria e mantido como refém por seis dias em cativeiro em São Paulo. O sequestro aconteceu nas proximidades das eleições e o resgate pedido era de U$ 30 milhões.

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