VCP reduz perdas e espera menos custos ao longo do ano

Por Alberto Alerigi Jr. e Taís Fuoco SÃO PAULO (Reuters) - A VCP encerrou o primeiro trimestre com prejuízo líquido de 6 milhões de reais, ante perda de 970 milhões de reais sofridas no final de 2008, quando a desvalorização do real contra o dólar gerou um rombo no resultado financeiro.

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A companhia, que antecipou em um mês, no final de março, o lançamento da maior fábrica de celulose do mundo em uma única linha, em Mato Grosso do Sul, espera reduzir custos de produção com a nova unidade ainda este ano.

No primeiro mês, a empresa informou que o custo ficou igual à media, mas que a unidade tem condições de oferecer condições melhores. "Esperamos redução significativa dos custos para 2009", disse José Luciano Penido, presidente-executivo da VCP, em teleconferência sobre o balanço.

Segundo ele, o câmbio voltando ao patamar de dois reais por dólar também ajuda porque cerca de 20 por cento dos custos de produção da companhia estão atrelados à moeda norte-americana.

A nova fábrica já produziu 55 mil toneladas em abril, seis por cento acima do previsto e operando a 78 por cento da capacidade. "Atualmente, a planta opera 80 por cento de capacidade, mas deverá chegar a 100 por cento até final do ano", disse Penido.

A empresa teve custo de 494 reais por tonelada na produção de celulose de janeiro a março, cinco por cento abaixo da meta diante de reduções nos preços de insumos químicos e de colheita e transporte de madeira. O custo no quarto trimestre havia sido de 544 reais por tonelada e no primeiro trimestre de 2008 foi de 484 reais.

DEMANDA MAIOR NA EUROPA E NA ÁSIA

A companhia registrou recorde de vendas de celulose no trimestre passado, 349 mil toneladas, volume seis por cento acima de sua própria previsão e 14 por cento acima do vendido no primeiro trimestre de 2008.

O desempenho foi puxado pela Europa, que aumentou em sete pontos percentuais sua participação no total comercializado.

A demanda chinesa também foi destaque, segundo a VCP, que vendeu 3,3 milhões de toneladas para a China no período de janeiro a março, 44 por cento a mais sobre o mesmo trimestre de 2008.

"O crescimento foi justificado pela recomposição de estoques chineses e o fechamento de capacidades naquele país", explicou o diretor-presidente.

A receita líquida das vendas, entretanto, recuou 6 por cento ante os três primeiros meses de 2008 diante de queda de 18 por cento no preço médio da celulose em moeda local.

CRONOGRAMA EM DIA

O processo de união com a Aracruz, segundo a VCP, "está caminhando muito bem", disse Gustavo Barreira, gerente de relações com investidores.

Segundo ele, "todos os passos anunciados em 20 de janeiro estão sendo cumpridos em linha com o esperado". O aumento de capital foi concluído e processo de oferta pública das ordinárias em circulação (OPA) foi arquivado na CVM em 30 de março, segundo ele.

O executivo acrescentou que "as etapas estão sendo cumpridas a contento e não esperamos nenhum tipo de atraso no cronograma que foi anteriormente divulgado".

A VCP fechou o primeiro trimestre com receita líquida de 574 milhões de reais, queda de 3 por cento sobre o obtido um ano antes e de 13 por cento sobre o faturamento do quarto trimestre.

O resultado financeiro encerrou negativo em 42 milhões de reais contra resultado positivo de 16 milhões no primeiro trimestre do ano passado e perda de 996 milhões de reais nos três últimos meses de 2008.

No fim de março, a empresa tinha dívida líquida consolidada de 6,99 bilhões de reais, contra 1,618 bilhão no primeiro trimestre de 2008. O caixa total encerrou em 2,36 bilhões de reais, contra 1,17 bilhão de reais na mesma comparação.

Em 2009, a empresa tem 1,7 bilhão de reais a serem amortizados em dívida bancária, seguido por 1,13 bilhão em 2010.

(Edição de Aluísio Alves)

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