Vazamento de informação prejudicou operação no Rio, diz delegado

RIO DE JANEIRO - O diretor de Policiamento da Capital, delegado Sérgio Caldas, afirmou que pode ter havido vazamento de informações sobre a megaoperação nas favelas do Complexo do São Carlos, no Estácio, zona norte do Rio, nesta terça-feira. O suposto vazamento teria prejudicado o resultado da operação, afirmou o delegado em entrevista à rádio CBN. Na ação, um homem foi preso e um menor foi detido. A polícia pretendia prender quase 100 pessoas.

Redação |

A operação contou com 300 policiais civis de 40 delegacias, sendo dez

AE
Duas pessoas foram presas na ação
especializadas. A ação teve como objetivo cumprir 60 mandados de busca e apreensão, além dos quase 100 mandados de prisão contra pessoas envolvidas com o tráfico de drogas e outros crimes. Entre os procurados, estavam os traficantes que mataram os três jovens do Morro da Providência no mês passado.

Durante a operação, um homem foi baleado e morreu no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro da cidade. Os policiais apreenderam ainda nove motos roubadas, um Fox que seria do traficante conhecido como Roupinol e uma grande quantidade de maconha e crack. 

Na ação, agentes da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) e Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), realizaram buscas com o apoio de um carro blindado e um helicóptero.

Traficante preso

Carol Bonando/PCERJ
Suspeitos foram detidos em Itaguaí
Na última sexta-feira, agentes da 6ª DP (Cidade Nova) e da 4ª DP (Praça da República) prenderam o traficante Edson de Oliveira, conhecido como Chaperó. Ele é acusado de ter participado da morte dos três jovens do Morro da Providência. Na ação, os policiais também detiveram o irmão do traficante, Alexandre de Oliveira Paiva, de 33 anos. Os dois estavam foragidos e foram presos na casa da mãe deles, no bairro de Chaperó, em Itaguaí.

De acordo com o titular da 6ª DP, delegado Rodolfo Waldeck, o traficante atuava como uma espécie de chefe de plantão do tráfico de entorpecentes do Morro da Mineira. Ainda segundo o Waldeck, Chaperó confessou ter presenciado a entrega dos jovens pelos militares, mas negou participação na tortura e na execução.

O caso

Marcos Paulo da Silva Correia, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa,
AE/Wilton Junior
Militares patrulham o Morro da Providência
20, e David Wilson Florêncio, 24, moradores do Morro da Providência, foram entregues aos traficantes do Morro da Mineira, da facção rival, por militares do Exército. Eles foram detidos por desacato quando voltavam de táxi de um baile funk. Eles foram torturados e mortos a tiros pelos bandidos rivais.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Onze militares respondem pelo homicídio e oito continuam presos. A tropa do Exército dava segurança às obras do projeto Cimento Social, que prevê a execução de reformas em residências do Morro da Mineira. O projeto recebeu cerca de R$ 12 milhões do Ministério das Cidades por meio de emenda do senador Marcelo Crivella (PRB), candidato à Prefeitura do Rio. As obras foram embargadas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), que investiga se o projeto tem cunho eleitoral a favor de Crivella. O exército já desocupou a favela.

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