Vazamento atrapalha prisão de milicianos no Rio

A Polícia Civil fluminense realizou hoje a Operação Rolling Stones, com o objetivo de desarticular uma milícia (quadrilha de policiais) que dominava Rio das Pedras, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio. A ação conseguiu cumprir menos de metade dos 22 mandados de prisão emitidos pela Justiça.

Agência Estado |

Segundo suspeita dos policiais, o vazamento prévio de informações facilitou a fuga de 13 acusados.

Dos nove mandados cumpridos, cinco pessoas já estavam em presídios, dois em regime semiaberto. Só quatro estavam em liberdade. A iniciativa da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE) ocorreu após apresentação, pelo Ministério Público Estadual, de três denúncias - duas por formação de quadrilha e uma por lavagem de dinheiro.

O vazamento beneficiou os supostos chefes da milícia, que não foram encontrados. Entre eles, os policiais militares: major Dilo Pereira Soares Junior, capitão Epaminondas de Queiroz Medeiros, que foi candidato a deputado federal em 2006, e o soldado Dalmir Pereira Barbosa, e seu irmão Dalcemir Pereira Barbosa. Entre os presos, está Jorge Alberto Moreth, o Beto Bomba, presidente da Associação de Moradores de Rio das Pedras, que a milícia controlava por meio de prepostos.

A milícia de Rio das Pedras é, segundo a Polícia, a mais antiga do Rio de Janeiro, e existe desde os anos 70. Foi criada por Octacílio Brás Bianchi, um antigo morador cujo bando jamais permitiu o ingresso dos traficantes na região. Com o assassinato de Bianchi, em 1989, e de sua de mulher Elita, em 1995, assumiu o comando da quadrilha o policial civil Félix Tostes.

Tostes foi assassinado em 2007, após se desentender com seu ex-aliado e vereador Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho de Rio das Pedras. Este recorreu a outra milícia, a Liga da Justiça, de Campo Grande, comandada pelo ex-vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho, (PMDB-RJ) e seu irmão, ex-deputado estadual Natalino José Guimarães (DEM) para eliminar Tostes. Os dois irmãos estão presos, e Nadinho acabou assassinado.

Além de denunciar por formação de quadrilha os 22 envolvidos com a milícia, incluindo nela as mulheres dos oficiais PM, o Ministério Público Estadual, com base em inquérito feito pela Polícia Federal, denunciou o grupo por lavagem de dinheiro. O comando da milícia tinha diversos ramos de negócio, como uma cooperativa de vans, uma distribuidora de botijões de gás e até uma empresa de factoring.

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, admitiu a possibilidade de, com a saída da quadrilha de policiais, traficantes dominarem Rio das Pedras. "Não podemos descartar que o tráfico até se instale", declarou. "Se isso acontecer, assim como combatemos a milícia vamos combater o tráfico também. Não podemos fazer nada a não ser ficarmos vigilantes".

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