Várias cidades da Europa realizam suas paradas do Orgulho Gay

Milhares de homossexuais marcharam através da Europa neste sábado, as grupos homofóbicos ofuscaram a festa na República Tcheca e na Bulgária, onde houve prisões por distúrbios da ordem pública.

AFP |

A polícia tcheca foi chamada para intervir depois que extremistas de direita tentaram impedir a realização da parada do Orgulho Gay em Brno, segunda maior cidade da República Tcheca.

Cerca de uma dúzia de extremistas vestidos com roupas pretas tentaram atrapalhar a parada dos homossexuais, planejada para durar duas horas no centro da cidade. Os direitistas atiraram ovos e fogos de artifício contra os participantes do evento, concentrados em uma praça.

Alguns extremistas levavam cartazes com dizeres como "Não aos gays".

Nacho Doce/Reuters

Reuters

Parada gay em Portugal

Quinze pessoas foram detidas pela polícia, segundo a agência de notícias CTK.

Cerca de 200 policiais com escudos e capacetes se posicionaram na praça para proteger os cerca de 500 participantes. Depois dos primeiros distúrbios, os organizadores da parada decidiram realizá-la apesar do ataque, porém com um percurso mais curto que o originalmente planejado.

A cidade vive um clima de tensão desde que as autoridades locais proibiram na quarta-feira manifestações da extrema-direita cujo objetivo era se contrapor à parada gay.

Na Bulgária, a primeira Parada Gay da capital Sofia também sofreu várias tentativas de pertubação por parte dos homofóbicos, resultando em várias prisões.

De acordo com o ministério do Interior, cerca de 60 extremistas foram presos pela polícia depois de tentar agredir um pequeno grupo de participantes que estavam escoltados por um número igual de policiais durante a marcha numa avenida da capital.

O líder do grupo União Nacionalista, Boyan Rasate, que pediu para as pessoas demonstrarem "aberta resistência" à marcha gay, também foi preso.

Michal Cizek/AFP

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Parada gay na RepúblicaTcheca



Os manifestantes apitaram ao longo do percurso e muitos exibiam camisetas com os dizeres "Eu não sou gay, mas meu melhor amigo é" e "Não é necessário ser gay para estar aqui".

Na Alemanha, milhares de pessoas também desfilaram em Berlim na já tradicional "Gay Pride", que teve como convidado especial Rudolf Brazda, que aos 95 anos é o último sobrevivente dos "Triângulos Rosas", os homossexuais perseguidos pelos nazistas.

Sob uma chuva intermitente e ao com da música eletrônica, os participantes caminharam cerca de 6 km da capital alemã, centro da cena gay na Europa.

Os organizadores do desfile, marcado pela luta contra a homofobia, calculavam a participação de cerca de meio milhão de pessoas.

Em Berlim, esse desfile é conhecido como "Christopher Street Day", em referência a essa rua de Nova York, onde em junho de 1969 alguns distúrbios eclodiram entre policiais e homossexuais.

O convidado especial da festa, Rudolf Brazda, participou em um pequeno carro, pintado com as cores de uma associação gay local.

Na sexta-feira, Brazda depositou um ramo de flores no monumento às vítimas gays do nazismo, inaugurado recentemente.

Ele tinha cerca de vinte anos quando Adolf Hitler chegou ao poder na Alemanha.

Em 1934 vivia junto com seu namorado quando ele foi condenado a seis meses de prisão no âmbito de uma lei que proibia "fornicação" entre homens.

Expulsos pelos nazistas para a Tchecoslováquia, trabalhou em uma empresa e em um teatro até que em 1938 voltou a ser preso e deportado para Buchenwald, em 1941.

Nesse local, foi obrigado a usar o "Triângulo Rosa", uma marca de homossexuais, e submetido a trabalho forçado.

Uma vez liberado o acampamento, em 1945, mudou-se para França com o seu novo amor, com quem viveu mais de 50 anos.

"Após a guerra, eu tive uma vida muito feliz. Já não era obrigado a me esconder, como antes, quando era considerado anormal", disse na sexta-feira.

Mais de 50.000 homossexuais foram condenados durante o regime de Adolf Hitler devido a um código penal revogado em 1969.

Segundo as estimativas, entre 5.000 e 15.000 homossexuais foram deportados para campos de concentração, onde mais de metade morreu por exaustão e maus tratos.

Por fim, em Paris, milhares mais participaram no evento que este ano teve como tema central a discriminação sexual nas escolas.

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