Varejo pedirá a Kassab regra mais flexível para caminhão

Representantes do comércio varejista de São Paulo vão propor ao prefeito Gilberto Kassab (DEM) a flexibilização das medidas de restrição ao tráfego de veículos de carga na capital paulista em encontro agendado para quarta-feira. Na pauta da reunião estão um pedido de liberação da circulação dos veículos urbanos de carga (VUCs), que tem até 6,3 metros de comprimento, críticas ao horário de carga e descarga de mercadorias, que pode bater de frente com a Lei do Silêncio nas áreas residenciais, e a possibilidade de desabastecimento nas lojas e supermercados.

Agência Estado |

A proibição de circulação das 5 às 21 horas em uma área de 100 quilômetros quadrados, pouco menor que o Centro Expandido, e o rodízio para caminhões nas Marginais do Tietê e do Pinheiros e na Avenida dos Bandeirantes foram anunciados pela Prefeitura na semana passada. Kassab deixou claro que, antes de assinar o decreto que oficializa as alterações, vai dialogar com os setores afetados. "Todos têm legitimidade nas suas manifestações e serão ouvidos", disse o prefeito em entrevista na sexta-feira. "As idéias viáveis serão incorporadas ao decreto."

Varejistas debateram a proposta a Kassab em um encontro hoje, na sede da Associação Paulista de Supermercados (Apas), em São Paulo. Participaram representantes de dez associações e empresas varejistas, como Apas, Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Carrefour, Pão de Açúcar, Wal-Mart e C&A Modas.

Proposta

Faz parte da proposta dos varejistas que os veículos urbanos de cargas sejam excluídos das proibições de circulação. Segundo o vice-presidente de comunicação da Apas, Martinho Paiva Moreira, sem os caminhões, o abastecimento na cidade ficará prejudicado. "Se as transportadoras precisarem usar veículos menores, como vans e caminhonetes, o trânsito ficara mais sobrecarregado ainda", diz. "Os VUCs são necessários."

O trabalho de carga e descarga, pelas novas regras, precisa acontecer entre as 21h e 5 horas. Isso motivou a preocupação do grupo com a desobediência à Lei do Silêncio, que estipula horários e limites para a emissão de ruídos em áreas residenciais. "Os supermercados estão todos em zonas residenciais", diz Moreira. "Se hoje já recebemos reclamações por fazer o abastecimento antes das 7 horas, imagine quando precisarmos fazê-lo de madrugada."

Segundo Moreira, pode acontecer um desabastecimento do comércio devido ao encurtamento do período para carga e descarga. "Há lojas que recebem mercadoria 24 horas. Com a lei, terão que reduzir em um terço esse tempo", afirma. Segundo ele, as associações colocarão à disposição da Prefeitura uma equipe de técnicos em logística para, junto ao pessoal da secretaria de Transportes e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), formular uma nova programação logística para a cidade.

Diálogo

Amanhã, se reúnem com Kassab outras 15 associações dos setores do comércio e transportes para discutir a aplicação das restrições a rodagem de veículos de carga na capital paulista. O encontro foi anunciado na sexta-feira pelo secretário Municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, em coletiva à imprensa.

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