Varejo faz acordo para carne ambientalmente responsável

SÃO PAULO (Reuters) - Um acordo que prevê a certificação da carne vendida no varejo para garantir que ela não seja resultado do desmatamento da Amazônia ou dos demais biomas do país foi assinado nesta segunda-feira pela associação que representa o setor de supermercados e o Ministério do Meio Ambiente. A certificação deve englobar toda a cadeia produtora de carne --desde a fazenda até o frigorífico-- e a adesão tanto dos varejistas quanto dos fornecedores será voluntária.

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O presidente da Abras, Sussumu Honda, disse que cerca de 47 por cento do varejo brasileiro aderiu ao programa de certificação e que, a expectativa da entidade, é que esse total chegue a 60 por cento até o início do ano que vem.

"Que são as grandes empresas e as médias empresas de varejo. Elas aderindo, com certeza elevará o patamar de comercialização da questão de qualidade e de origem da carne bovina", disse Honda a jornalistas, durante lançamento do programa.

"O impacto (de preço ao consumidor) será muito pouco", garantiu.

Também presente ao lançamento, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, classificou como "setores mais atrasados" alguns pecuaristas críticos do acordo com a Abras e previu que, quem não aderir ao programa, ficará fora do mercado.

"Sempre haverá aqueles elos mais atrasados que protestam, mas se não entrarem na legalidade, não vão colocar a carne no supermercado", disse o ministro.

Em discurso durante o lançamento do programa, Minc fez um balanço dos acordos setoriais firmados pela sua pasta durante cerca de um ano e meio de sua gestão, como, por exemplo, a moratória da soja, acordo pelo qual comerciantes de grãos se comprometiam a não adquirir soja oriunda de áreas desmatadas da Amazônia a partir de 2006.

"A soja deixou de ser um fator relevante no desmatamento da Amazônia", disse Minc, ao comentar que verificações do cumprimento da moratória mostraram que ela foi obedecida em 97 por cento dos casos.

Minc disse ainda que o governo federal planeja promover desonerações com critérios "climáticos e ambientais", como as realizadas no imposto sobre produtos industrializados (IPI) da linha branca e dos automóveis com motores flexíveis.

"Os próximos passos na desoneração combinando as questões ambiental e climática serão carros elétricos, material solar e eólico e materiais reciclados", disse.

"O plástico, o papel, o vidro... quem tira do chão isso não deve pagar imposto, deve ganhar um prêmio. Deve ganhar estímulo para isso", comentou.

"Quero dizer que o ministro (da Fazenda Guido) Mantega é completamente favorável a essa ideia. Portanto, aguardem para breve a desoneração dos produtos reciclados", comentou.

(Reportagem de Eduardo Simões)

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