Por Rodrigo Viga Gaier RIO (Reuters) - A crise financeira mundial ainda não chegou ao comércio varejista brasileiro e as vendas cresceram pelo sétimo mês seguido em setembro.

Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou os dados nesta terça-feira, os efeitos da turbulência internacional sobre o setor podem ocorrer apenas em 2009.

"A crise financeira ainda não se transformou em crise de consumo no país", disse a jornalistas o coordenador da pesquisa no IBGE, Reinaldo Pereira.

As vendas no mês foram 1,2 por cento superiores ao registrado em agosto. Na comparação com setembro do ano passado, o aumento foi de 9,4 por cento.

Analistas consultados pela Reuters esperavam crescimento mensal de 1,0 por cento e anual de 8,85 por cento.

Para Pereira, os efeitos da crise sobre a demanda interna podem ser postergados para 2009 uma vez que o governo tem adotado uma série de medidas para garantir o consumo.

"O que se vê é uma injeção de dinheiro do governo para o consumo. O governo anunciou bilhões para setores importantes como automóveis e construção civil", disse.

"Acredito que em 2008 a pesquisa não apresente surpresas por conta da crise visto que, além dos bilhões injetados na economia pelo governo, temos pela frente o período de Natal."

De acordo com o IBGE, todas as dez atividades pesquisadas registraram aumento de vendas de agosto para setembro, com destaque para o setor de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com alta de 6,9 por cento.

Na comparação com setembro do ano passado, também foi verificado aumento de vendas em todas as atividades pesquisadas.

No ano, as vendas do varejo brasileiro acumulam alta de 10,4 por cento. Nos últimos 12 meses, o avanço foi de 10,3 por cento.

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