Vannuchi diz que Lula daria recado a Ahmadinejad

Pelo menos um integrante do alto escalão do governo brasileiro se diz publicamente “aliviado” pelo cancelamento da visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, marcada para esta semana. Trata-se do ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, que afirmou ontem que a visita “não ocorreria em um bom momento”.

Agência Estado |

Vannuchi revelou que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, estava pronto para dar um recado a seu colega iraniano sobre seu comportamento. “O presidente Lula disse que diria: assim não dá”, afirmou Vannuchi. A explicação dada por diplomatas para o cancelamento da visita foram as eleições no Irã, em junho.

Em vez de embarcar para a América do Sul, Ahmadinejad viajou para a Síria. Duas semanas atrás, na conferência sobre racismo da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, o presidente iraniano questionou o Holocausto e qualificou o governo de Israel de racista. O discurso foi criticado por diversos governos, incluindo o do Brasil.“Foi um alívio”, admitiu Vannuchi, em relação à notícia do cancelamento da viagem de Ahmadinejad. “Esse era um momento ruim, com protestos e depois do discurso na ONU”, explicou.

“Questionar o Holocausto é um problema gravíssimo. É mostrar, de alguma forma, uma simpatia por Adolf Hitler.” Vannuchi afirmou que recomendaria ao chanceler Celso Amorim que o Brasil não poderia aceitar “nenhum pronunciamento”. “Como ministro dos Direitos Humanos, não posso adotar a atitude de achar que isso não é um problema”, disse o ministro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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