Van Gogh perdeu orelha em briga com Gauguin, diz livro

Rodrigo Zuleta. Berlim, 27 fev (EFE).- De tempos em tempos, algum pesquisador surge com novas teorias sobre os mitos da estética contemporânea, e agora foi a vez de Rita Wildgans e Hans Kaufmann, que aparecem com a novidade de que Van Gogh não teria cortado a própria orelha, e sim a perdido em uma briga com Gauguin.

EFE |

"Van Goghs Ohr. Paul Gauguin und der Pakt des Schweigens" (A orelha de Van Gogh. Paul Gauguin e o pacto do silêncio) é o título do livro de Wildgans e Kaufmann, publicado pela editora Osburg, que oferece uma nova versão dos fatos ocorridos em Arles, sul da França, em dezembro de 1888.

Os dois autores argumentam a partir de uma série de dúvidas que permeiam a versão geralmente aceita dos fatos, repetida à exaustão e que foi representada em muitos filmes e peças de teatro.

A base dessa versão, segundo o livro, é o testemunho dado por Gauguin à Polícia.

Segundo o relato, Van Gogh, em um ataque de loucura, teria cortado a orelha direita com uma navalha e, depois, a teria levado a um bordel para entregá-la a uma prostituta e pedir que cuidasse bem do órgão.

No dia seguinte, o artista foi encontrado em sua cama, banhado em sangue, e levado a um hospital próximo.

Wildgans e Kaufmann acreditam que a história está cheia de detalhes difíceis de engolir e que levam à conclusão de que Gauguin mentiu à Polícia, para dissimular o papel-chave que ele teria tido nos eventos da noite anterior.

Antes de tudo, a ideia de um Van Gogh ensanguentado, andando de noite até o bordel - nos arredores de Arles - para entregar a orelha a uma prostituta que não significava nada para ele e, depois, voltar para casa é algo que os dois autores consideram inverossímil.

A versão alternativa parte de um confronto entre os dois amigos, gerado pela decisão de Gauguin de abandonar Arles e retornar a Paris.

Van Gogh teria atirado em Gauguin um copo em um bar e, depois, teria começado a persegui-lo para tentar persuadi-lo a ficar em Arles.

Na briga de rua, Gauguin, que era um bom espadachim, teria desembainhado sua adaga e cortado, com um golpe, a orelha de Van Gogh, perto do bordel onde o órgão apareceria mais tarde e a partir do qual a Polícia seguiu um rastro de sangue que a levou até a famosa "casa amarela" onde os artistas viviam.

Este último, no entanto, após a briga teria decidido passar a noite fora de casa.

"Cale-se, que eu também me calarei", foram as últimas palavras de Van Gogh a Gauguin, o que é interpretado pelos dois pesquisadores como um pacto de silêncio.

Para sustentar essa hipótese, Wildgans e Kaufmann buscam rastros de um suposto sentimento de culpa em textos e desenhos de Gauguin sobre cuja consciência pesaria o fato de ter precipitado Van Gogh à loucura definitiva.

Alguns indícios para respaldar essa tese seriam girassóis pintados no Tahiti em homenagem a Van Gogh, alegam os pesquisadores.

Uma das bases do novo livro é uma investigação do médico Wilfred Arnold que, em 1992, chegou à conclusão de que a doença de Van Gogh, mais que uma origem psicológica, procedia de uma descompensação de enzimas que provocava a crise temporária das quais, depois, se recuperava.

A versão de Gauguin sobre a orelha cortada, no entanto, teria criado a imagem de um Van Gogh completamente maluco que o levou ao isolamento total em seus últimos anos.

Seis meses após deixar a orelha no prostíbulo dos arredores de Arles, Van Gogh foi internado em um hospital psiquiátrico em Saint Remy. Mais tarde, em maio de 1890, seria mudado a Auvers-sur-Oise, onde foi posto ao cuidado do médico Paul Gauchet.

Em 22 de julho do mesmo ano, Van Gogh morreu em consequência das consequências deixadas por uma tentativa de suicídio. EFE rz/db

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