Valenzuela deve manter aproximação EUA-Brasil

A escolha do chileno-americano Arturo Valenzuela para o principal cargo diplomático do governo de Barack Obama para América Latina deve trazer continuidade na política de aproximação dos Estados Unidos com o Brasil. Valenzuela foi indicado anteontem como secretário-assistente para o Hemisfério Ocidental no lugar de Thomas Shannon, que vinha ocupando o posto desde o governo de George W.

Agência Estado |

Bush. Para Michael Shifter, vice-presidente do centro de estudos Diálogo Interamericano, Valenzuela deverá dar “uma grande continuidade” na política de Shannon de reconhecer a importância regional do Brasil - até porque Valenzuela foi o chefe de Shannon no Conselho de Segurança Nacional do governo Clinton. Shannon é bem-visto pelo governo brasileiro e tem bom trânsito entre republicanos e democratas.

Mas, entre diplomatas brasileiros, há receio de que Valenzuela siga a chamada “escola clintoniana”, que encarava o Brasil apenas como um grande país latino-americano, e não como potência global. “Não sabemos se ele vai reconhecer o Brasil como foco de estabilidade na região, como o país que Washington deve procurar quando se trata de facilitar as conversas com Cuba e melhorar a relação com Venezuela e Bolívia”, diz uma fonte. “Na era Clinton, quando Valenzuela atuou, o Brasil ainda estava tentando sair da crise e era visto apenas como mais um parceiro.”

A nomeação de Valenzuela não foi avaliada oficialmente pelo governo brasileiro, mas é vista com simpatia. Oficialmente, o Itamaraty informa que não se manifesta sobre nomeações feitas por outros países, mesmo que, como nesse caso, seja um tema relevante para o País. Thomas Shannon, que ocupava o cargo para o qual Valenzuela foi nomeado, pode vir a ser o novo embaixador americano no Brasil no lugar de Clifford Sobel. A provável nomeação, por enquanto, não passa de boato. No entanto, no Ministério das Relações Exteriores o tema já está sendo discutido, apesar de o governo brasileiro não ter recebido nenhuma informação oficial.

Ontem, no entanto, o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse que há boa expectativa sobre a atuação de Valenzuela e “imagina” que ela seja boa para o Brasil “porque, como acadêmico, tem conhecimento da região”. Segundo Garcia, “tivemos excelentes relações com Shannon e certamente teremos com Valenzuela”. Garcia está otimista: “O fato de Valenzuela ser filho de chilenos indica uma aproximação com a América do Sul, o que facilitará o entrosamento.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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