Vale vende US$1 bi em bônus global de 10 anos

RIO DE JANEIRO/NOVA YORK (Reuters) - A Vale vendeu nesta terça-feira 1 bilhão de dólares em bônus globais com vencimento em 10 anos, informou a companhia em um comunicado. As notas foram vendidas ao preço de 99,232 por cento de seu valor de face, com rendimento de 5,727 por cento, ou 225 pontos básicos acima dos Treasuries comparáveis.

Reuters |

Mais cedo, a IFR (serviço de informações sobre captações da Thomson Reuters) havia indicado que a demanda para os novos papéis teria chegado a 5 bilhões de dólares, mas o tamanho da operação não mudaria.

A Vale não especificou onde serão aplicados os recursos captados, limitando-se a informar que serão utilizados para "propósitos corporativos em geral", o que pode incluir tanto aquisição como rolagem de dívida.

A operação foi coordenada pelo Goldman Sachs, HSBC e Santander.

O analista da corretora SLW Pedro Galdi avaliou que o volume é expressivo, mas que não deverá ser utilizado para aquisições de grande porte, já que o período ainda é de incertezas.

"Nesse momento pode até fazer uma aquisição de pequeno ou médio porte, mas não sei se faria isso. Ainda existe muita incerteza no mercado em relação à demanda por minério", disse Galdi, referindo-se ao principal produto da empresa.

A Vale, assim como outras mineradoras, não conseguiu fechar o preço do minério de ferro com o seu principal cliente, a China, e teve que reduzir o valor do produto entre 28,8 (minério fino) e 44,47 por cento (granulado) para os demais clientes por conta da queda de demanda. A queda do preço das pelotas foi de 48,3 por cento.

Recentemente, a empresa investiu 965 milhões de euros para aumentar a participação na Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), projeto em parceira com a alemã Thyssenkrupp, no Rio de Janeiro.

"Muitas empresas estão tentando baratear e alongar suas dívidas", explicou Galdi.

Para o analista do Banco do Brasil Antonio Emilio Ruiz, o objetivo pode ser aumentar a diversificação de produtos, comprando pequenas operações de carvão ou cobre, por exemplo, ou mesmo apenas garantir mais folga no caixa.

"Pode ser conservadorismo, se proteger para o caso de uma geração de caixa menor", disse Ruiz, observando que as agências de rating classificaram positivamente a oferta.

A Fitch concedeu nota "BBB" para a nova emissão da Vale, enquanto a Moody's classificou o papel como "Baa2".

"O rating da Vale Baa2 reflete a diversificação de produtos da empresa e seu alcance geográfico, bem como sua posição de liderança no mercado transoceânico de minério de ferro", disse a Moody's em um comunicado.

As ações preferenciais da mineradora fecharam em alta de 2,27 por cento, enquanto o índice geral da Bovespa encerrou com alta 2,12 por cento.

Para ver o noticiário completo do IFR, acompanhe www.ifrmarkets.com

(Por Denise Luna, no Rio de Janeiro, e Pam Niimi, em Nova York)

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