Vale vê economia de US$150 mi com biodiesel e testa gás natural

Por Denise Luna RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Vale espera economia de 150 milhões de dólares por ano com a utilização de biodiesel em suas locomotivas do Sistema Norte e nos equipamentos de grande porte da mina de Carajás, informou nesta quarta-feira o diretor-executivo da área de Logística, Gestão de Projetos e Sustentabilidade, Eduardo Bartolomeo.

Reuters |

Um dia após anunciar parceira com a Biopalma da Amazônia para produção de biodiesel a partir o óleo de palma, a empresa reafirmou sua intenção de apostar em novas formas de energia e já testa no Sistema Sul a utilização de gás natural associado a diesel em suas locomotivas.

"Vencemos a barreira da armazenagem e os testes estão sendo um sucesso. Em 2011 estaremos aptos para adaptação e conversão das máquinas", explicou Bartolomeo a jornalistas, informando que já existe uma locomotiva flex funcionando na ferrovia Vitória-Minas com diesel e gás natural.

Na fase de testes, a concentração do gás varia entre 50 e 70 por cento do combustível utilizado pelo trem, informou a companhia em um comunicado antes da entrevista.

Bartolomeo afirmou que os testes terminam entre o final de 2009 e meados de 2010, e a conversão das 350 locomotivas que trafegam na ferrovia que atende o Sistema Sul (Minas Gerais) será feita em 2011. Com o início da operação a Vale vai deixar de emitir 73 mil toneladas de CO2 equivalente na atmosfera, informou.

Presente na entrevista, a diretora de Energia da Vale no entanto descartou que a empresa vá utilizar o gás natural que a mineradora está buscando no litoral brasileiro.

"A exploração está em fase inicial...(o uso do gás descoberto pela Vale) vai depender da determinação do volume para ver se vai ser possível explorar comercialmente", explicou Vânia.

Os dois executivos se mostraram abertos a pesquisar outras formas de energia, inclusive solar e eólica, sendo que esta última já está em fase de estudos.

"Estudamos alguma coisa de solar para geração de energia para usar em nossos projetos, mas os custos são menos competitivos...estamos hoje com um projeto em parceria em energia eólica, estamos desenvolvemndo esse segmento", disse a diretora, negando que a empresa possa participar dos leilões de energia eólica do governo.

"Todos os nossos projetos de energia são para utilização própria, não vamos vender energia", explicou.

60 MIL HA PARA CULTIVO DE PALMA

Sobre o consórcio com a Biopalma da Amazônia, a Vale informou que vai investir 305 milhões de dólares, dos 500 milhões de dólares do projeto todo. Segundo a empresa, o empreendimento será o maior produtor de óleo de palma das Américas.

O consórcio estima que a produção anual de óleo seja de 500 mil toneladas.

"Parte dessa produção será transformada em 160 mil toneladas de biodiesel para a Vale, que serão utilizadas para auto-consumo. O restante do óleo de palma produzido será comercializado pela Biopalma", informou a Vale nos documentos adicionais sobre o projeto.

O óleo de palma é um concorrente de outros óleos comestíveis, como o de soja, nos mercados internacionais. O Sudeste da Ásia, especialmente a Malásia, é grande produtor.

O consórcio vai trabalhar com aproximadamente 2 mil famílias de agricultores. Serão utilizados 60 mil hectares para o plantio da palma, totalizando 9,3 milhões de mudas até 2013.

"A partir de 2014, a Vale utilizará a mistura B20 (20 por cento de biodiesel e 80 por cento de diesel comum) na Estrada de Ferro Carajás e em algumas operações de mineração do Sistema Norte. A parceria com a Biopalma vai permitir que a Vale se torne autosuficiente na produção do B20. Ao mesmo tempo, a empresa irá conseguir se antecipar à regulamentação que prevê o uso do B20 para 2020", acrescentou a nota.

Em 2008, o consumo de óleo diesel puro da Vale no Brasil foi de 940 milhões de litros, sendo 336 milhões nas unidades do Sistema Norte. O volume de biodiesel puro (B100, sem mistura com diesel) consumido no ano foi de 19 milhões de litros.

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