Por Denise Luna RIO DE JANEIRO (Reuters) - A mineradora Vale assinou um memorando de entendimentos com a Petrobras com o objetivo de adquirir uma participação de 25 por cento dos direitos exploratórios em blocos marítimos na concessão BM-ES-22, na bacia do Espírito Santo, informaram as companhias nesta quinta-feira.

Os blocos estão no pós-sal, em lâmina d'água entre 1.000 e 2.000 metros, e foram adquiridos pela Petrobras na 6a rodada de licitações da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que ainda precisará aprovar o eventual negócio.

"A exploração do gás natural faz parte da estratégia da Vale de diversificação e otimização da matriz energética com o objetivo de reduzir custos e mitigar riscos", informou a mineradora em nota explicando a parceria.

"A participação conjunta na concessão BM-ES-22 soma-se às parcerias já formadas em 22 outros blocos exploratórios, localizados tanto em áreas com alto potencial comprovado -- as bacias do Espírito Santo e de Santos -- como em áreas de fronteira exploratória no mar (Bacia do Pará-Maranhão) e em terra (Bacia do Parnaíba)", acrescentou a Vale.

O portfólio atual da Vale é composto de 26 blocos, agrupados em 14 concessões offshore (sete na bacia de Santos, três na bacia do Espírito Santo e quatro na bacia do Pará-Maranhão), além de duas concessões onshore na bacia do Parnaíba, informou a empresa.

A Vale vai investir 260 milhões de dólares este ano no segmento de exploração, provavelmente o mesmo valor previsto para 2010, e mais de 300 por cento acima dos 60 milhões de dólares aplicados em 2008.

CURIOSO NO PRÉ-SAL

Em entrevista após a assinatura, o presidente da Vale, Roger Agnelli, informou que a parceria visa o abastecimento da companhia, hoje consumidora de 2 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, mas que tem potencial para usar para até 6 milhões de metros cúbicos, segundo Agnelli.

"No caso das locomotivas o potencial é maior ainda, para nós o consumo de gás é imenso", declarou, referindo-se ao projeto da companhia de converter para gás todas as locomotivas do Sistema Sul da companhia até 2011.

Agnelli destacou a estratégia de melhorar a matriz energética de suprimento da Vale, que vem trabalhando para desenvolver tecnologias de biocombustíveis. Além das locomotivas a gás natural, a empresa anunciou na quarta-feira parceria para produzir biodiesel, que será utilizado nas locomotivas da empresa no Sistema Norte.

"Podemos sonhar em usar o gás natural nas locomotivas, temos um consumo forte (de gás) nas pelotizadoras e também a questão do gás ser um redutor é atrativo para siderúrgicas", explicou.

A Vale incentiva a instalação de siderúrgicas no país para garantir fornecimento de minério com baixo frete, detendo uma participação minoritária nos projetos. Na semana passada anunciou avanço no projeto no Ceará com a coreana Dongkuk para uma planta de placas de aço que pode atingir 6 milhões de toneladas de capacidade. No Rio de Janeiro, é parceira da ThyssenKrupp na Companhia Siderúrgica do Atlântico.

"A nossa prioridade é a descoberta de gás, da Petrobras as duas coisas (gás e petróleo)", disse Agnelli, ressaltando que o Brasil hoje é alvo de interesse mundial por causa do pré-sal.

"Há um interesse enorme por causa do pré-sal, que nós vamos querer também...se a Petrobras estiver vamos querer também, vamos de mãos dadas com a Petrobras", afirmou, dizendo que no momento o interesse no pré-sal "é um interesse de curioso, vai depender das regras no pré-sal".

O governo estuda desde o ano passado novas regras para a exploração do pré-sal, uma região com menor risco de exploração do que em outras áreas exploradas no país por ter potencial para conter bilhões de barris em reservas. A expectativa é de que entre julho e agosto as novas regras sejam levadas a votação no Congresso.

Presente na entrevista, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou que a parceria com a Vale engloba o risco da exploração.

"É um grande consumidor para repartir o risco conosco, dá uma complementaridade muito grande", disse Gabrielli.

Ele descartou a possibilidade de fazer movimentos de venda de participações também nos blocos que possui no pré-sal da bacia de Santos, antes ou depois do novo marco regulatório.

"Enquanto não tiver o marco não se pode mexer nessas áreas, e depois também, não está no nosso plano de investimentos (2009-2013), já temos o nosso plano de investimentos de 111 bilhões de dólares para o pré-sal", explicou.

(Edição de Marcelo Teixeira)

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