A ação realizada nesta quinta-feira pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Estrada de Ferro Carajás, da mineradora Vale, gerou perdas de US$ 20 milhões para a empresa, segundo o diretor de ferrosos da companhia, José Carlos Martins. Segundo ele, a paralisação de seis horas na estrada de ferro fez com que a Vale perdesse o equivalente a um dia de produção, que soma 280 mil toneladas de minério.

"Perdemos um dia para regularizar as composições na ferrovia", disse. As perdas levam em conta os navios que deixaram de ser abastecidos no porto.

A invasão da Estrada de Ferro Carajás em Parauapebas (PA) nesta quinta foi o ponto alto dos protestos do "Abril Vermelho" do Movimento dos Sem-Terra (MST) para lembrar os 12 anos do massacre de Eldorado dos Carajás e pedir a aceleração da reforma agrária - em todo o País, ocorreram ações em 17 Estados e no Distrito Federal. O movimento garante que as invasões vão prosseguir.

AE
Continuamos mobilizados. Ocupações de terra vão continuar, assim como outras ações. A data do dia 17 é simbólica, mas a luta continua, já que as reivindicações não foram atendidas, disse José Batista de Oliveira, membro da coordenação nacional do MST.

A Justiça proibiu, em liminar concedida em março pela Justiça Federal do Rio, interdições da ferrovia e avisou que pode multar em R$ 10 mil o principal líder do MST, João Pedro Stédile, por desobedecer à determinação da liminar. A decisão judicial não foi respeitada, reclamou a Vale, em nota. O MST, por sua vez, respondeu que há uma tentativa da empresa para criminalizar o movimento.

A interdição não foi feita por nós, e sim pelo Movimento dos Trabalhadores em Mineradoras (MTM), disse Batista. Na liminar, a Justiça reconheceu o direito de o movimento promover ações, desde que não sejam atos violentos ou interrompam a atividade da empresa. O MST e Stédile poderiam ser multados em R$ 5 mil por infração. Na ocasião, Stédile classificou a ação de uma idiotice.

Processos

Stédile foi processado duas vezes na Justiça do Rio Grande do Sul. Uma das ações, por incitação à violência, já foi extinta. A outra, por participação na organização de um ataque ao viveiro de mudas da Aracruz Celulose, em Barra do Ribeiro, está em andamento. Stédile é esperado para depoimento no dia 26 de junho.

AE
O primeiro caso foi decorrente de palestra que o líder do MST deu em Canguçu, no dia 26 de março de 2003, quando disse a assentados que havia mil trabalhadores rurais para cada latifundiário no País. Pela segunda ação, em 8 de março de 2006, 1,5 mil mulheres da Via Campesina depredaram o viveiro da Aracruz. Stédile deu entrevistas cumprimentando as autoras do ataque.

Leia também:

Opinião:


Leia mais sobre: MST

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.