Vacina contra H1N1 começará a ser produzida em outubro no Brasil

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil recebeu nesta terça-feira os primeiros lotes com a cepa do vírus da gripe H1N1, matéria-prima para a produção de vacinas contra a nova doença e as primeiras doses devem ser produzidas a partir de outubro, informou o presidente da Fundação Butantan, Isaias Raw, nesta terça-feira. Para Raw, de acordo com a Agência Câmara, o Brasil será pressionado para atender também a seus países vizinhos, já que o Butantan é o único instituto na América Latina habilitado para produzir vacinas. O governo pretende vacinar até 18 milhões de pessoas contra a doença até metade do ano que vem.

Reuters |

Nesta terça-feira, durante sessão na Câmara dos Deputados em Brasília, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, voltou a criticar a distribuição do medicamento usado no tratamento da gripe H1N1.

"É uma medida perigosa", afirmou a jornalistas. Temporão acrescentou que casos de resistência ao medicamento já foram registrados no Canadá e na China.

Na semana passada, o ministro havia classificado como "irresponsável" a distribuição indiscriminada do medicamento e disse que seu uso descontrolado poderia tornar o vírus mais resistente.

Temporão reafirmou que o ministério está atento à evolução da gripe H1N1 no país mas que não se deve transformar a nova doença em uma "peste".

"O sistema de saúde que construímos vai dar conta do recado", disse Temporão. "Gripe é uma doença complicada, que deve ter muita atenção e cuidado, não apenas agora".

GRÁVIDAS: GRUPO DE RISCO

Temporão indicou que a nova doença já representa 77 por cento do total de casos de gripe registrados no Brasil. Segundo o ministro, 192 pessoas morreram no país em decorrência do vírus H1N1, o dobro de vítimas em relação ao último boletim do ministério, divulgado há uma semana, que contabilizava 96 óbitos.

Dados das Secretarias Estaduais de Saúde, no entanto, colocam o número de mortes no país em 203. A maioria dos óbitos foi registrada em São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná.

Segundo Temporão, as gestantes correspondem a 14,5 por cento dos óbitos e 30 por cento delas apresentavam pelo menos um fator de risco adicional, como pressão arterial elevada.

"Eles se somaram à gravidez e contribuíram para uma evolução ruim do caso", afirmou.

Para evitar a contaminação de gestantes, a Secretaria de Saúde de São Paulo recomendou restrições ao trabalho de grávidas no Estado.

A medida recomenda a transferência de profissionais gestantes para setores nos quais não haja contato com pacientes da nova gripe.

"A Secretaria ainda estuda o motivo pelo qual a mortalidade tem sido alta entre as gestantes", afirmou a pasta em nota. "Mas um dos possíveis fatores é a redução da imunidade entre essas pacientes, além de diminuição da capacidade pulmonar".

De acordo com o órgão, dos 69 óbitos registrados no Estado de São Paulo até o dia 7 de agosto, 13 foram de mulheres grávidas.

(Por Hugo Bachega)

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