Uma substância encontrada no veneno de uma aranha comum no cerrado brasileiro pode ser a chave para um novo medicamento destinado a pacientes com mal de Alzheimer e outras doenças degenerativas, como esquizofrenia e epilepsia. Pesquisa desenvolvida no câmpus da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, conseguiu separar uma substância produzida pela aranha Parawixia bistriata e, com o trabalho, impedir a morte de células do sistema nervoso.

A equipe da USP extraiu a glândula do veneno da P. bistriata para separar suas moléculas. A substância afeta a quantidade de glutamato no sistema nervoso. O glutamato é um aminoácido responsável pela comunicação entre os neurônios, chamado de neurotransmissor. “Por algum motivo, a liberação em excesso do glutamato aumenta a estimulação e mata as células do sistema nervoso, que não se regeneram”, diz o professor do Departamento de Biologia da USP Wagner Ferreira dos Santos, um dos pesquisadores envolvidos no trabalho.

Como na aranha o glutamato é responsável pelos movimentos, foram coletadas várias espécies e feitas experiências em ratos, em laboratório, simulando crises convulsivas. A P. bistriata apresentou o melhor resultado em laboratório, já que a maioria dos ratos não desenvolveu doenças. Isso poderá, no futuro, evitar a progressão de doenças neurodegenerativas em humanos. “Os medicamentos existentes hoje diminuem a estimulação, mas não bloqueiam a morte celular dos neurônios, o que a pesquisa foi capaz de fazer”, comemora Santos. “Não tínhamos idéia do mecanismo da ação do glutamato”, comenta.

Outro pesquisador, Joaquim Coutinho-Netto, da Faculdade de Medicina, diz que a pesquisa traz boas perspectivas, pois há 30 anos não se tem novidades na área e os medicamentos são do começo do século 20. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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