Predisposição genética, dieta, alterações hormonais e privação de sono estão entre as principais causas da enxaqueca infanto-juvenil. Essa constatação é de uma pesquisa realizada no Ambulatório de Cefaléia na Infância do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP).

E, ao contrário da usual associação entre dor de cabeça e problemas visuais, das 417 crianças pesquisadas, apenas 1% tinha miopia ou astigmatismo.

"Desencadeada, principalmente, após longos períodos de esforço visual, pais, professores e até mesmo os médicos costumam associar a dor de cabeça aos problemas oftalmológicos, quando, na verdade, eles se mostraram raros no ranking de causas", afirma o autor do estudo, o neurologista Marco Antônio Arruda, um dos pioneiros no estudo das cefaléias na infância do País.

A pesquisa durou mais de três anos, os 417 meninos e meninas, com idade entre 6 e 16 anos, apresentavam queixas recorrentes de dor de cabeça. O especialista constatou que 94% tinham enxaqueca e apenas 1% dos avaliados apresentava problemas visuais, como miopia e astigmatismo. "A enxaqueca é hereditária. Mais de 80% dos pais das crianças com a doença estudadas na amostra também apresentavam enxaqueca."

Segundo a literatura atual, a enxaqueca é uma doença genética que provoca alterações químicas no cérebro que tornarão esse órgão mais sensível a uma série de fatores interno e externos, que acabam desencadeando as crises de dor de cabeça típicas dessa doença. Entre os fatores externos destacam-se o excesso de luminosidade, determinados alimentos (álcool, chocolate, condimentos e derivados do leite), odores e esforço visual. Como exemplos de fatores internos, o pesquisador cita as emoções (tanto negativas quanto positivas), a menstruação e as variações do ciclo do sono (privação ou excesso do sono).

Cecilia Nascimento

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