SÃO PAULO - Reconhecida internacionalmente como uma das principais instituições de ensino e pesquisa, a maior universidade pública do país - a Universidade de São Paulo (USP) - parou nesta terça-feira em um ato de protesto de professores, alunos e funcionários contra a presença, na última segunda-feira, de policiais militares no campus da Cidade Universitária e para reivindicar a reabertura de negociações de aumento salarial e outras melhorias.

Os funcionários técnico-administrativos estão em greve há 28 dias e, hoje, receberam o apoio dos docentes e estudantes na defesa da pauta unificada do Fórum das Seis, que representa os sindicatos de professores e funcionários, além de entidades estudantis da USP, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paulo Souza (Ceeteps).

Entre outras reivindicações, a pauta pede a correção de salários em 10%, além da reposição das perdas com base na inflação dos últimos doze meses até abril último, e o pagamento de um valor fixo de R$ 200,00 para todos os trabalhadores, acertado em 2007 com a reitoria com base no aumento de arrecadação do governo, e que até hoje não foi incorporado aos salários.

No ato desta terça, os manifestantes defenderam a reabertura das negociações, que foram suspensas segunda-feira da semana passada, pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). O diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp), Magno de Carvalho, informou que já houve adesão de 65% dos 15 mil técnicos administrativos das três universidades no estado ao movimento de paralisação. Já a reitoria da USP contestou essa informação, afirmando que apenas 10% estão parados.

Carvalho repudiou a ação policial e defendeu a readmissão de um dos diretores do sindicato da categoria, Claudionor Brandão. Para o presidente da Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp), Otaviano Helene, o uso da força policial foi uma atitude inaceitável. Na visão dele, um aparato como o de ontem só se viu na universidade no período da ditadura militar, em 1979.

Por meio de nota, a reitoria da USP justificou que recorreu aos policiais militares por causa da obstrução dos acessos ao prédio da reitoria, bloqueados por piquetes e barreiras físicas, que estavam impedindo a entrada dos servidores e prejudicando o funcionamento administrativo e dos órgãos colegiados da universidade.

Ainda conforme a nota, a ação se justificou também pelo cumprimento de reintegração de posse de áreas ocupadas pelos manifestantes, que estariam sendo conduzidas por um grupo isolado de servidores. Sobre a concessão de aumento salarial, a nota informou que o Cruesp já concedeu um reajuste de 6,05%.

Os estudantes, que engrossaram o coro de protestos contra a presença dos policiais militares, anunciaram que farão na próxima quarta-feira, às 14h, um ato em frente ao prédio da Fuvest contra a realização do primeiro vestibular para ensino à distância, que deve começar em julho próximo.

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