USP: falta de reforço fez teto da Renascer desabar

A falta de reforço metálico na estrutura que sustentava o telhado da sede internacional da Igreja Renascer em Cristo, no Cambuci, região central de São Paulo, foi o fator decisivo para o desabamento que deixou nove mulheres mortas e mais de cem feridos em janeiro. O resultado está no exame elaborado por técnicos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), que será anexado ao laudo final do Instituto de Criminalística (IC), previsto para ser divulgado oficialmente na próxima semana.

Agência Estado |

Das 14 tesouras de madeira que sustentavam o telhado, apenas uma, a que ficava em cima do púlpito, não havia recebido reforço metálico durante a reforma da igreja, entre 1999 e 2000. Essa tesoura ruiu em 18 de janeiro, no momento em que fiéis do culto das 17 horas saíam e outros chegavam para celebração seguinte. Ainda não se sabe por que essa estrutura era a única do telhado que não havia recebido um reforço metálico. O exame feito pela Poli-USP também mostra que essa mesma tesoura que ficava acima do palco apresentava apodrecimento em uma das extremidades - o que pode ter causado ou facilitado o desabamento.

Uma das hipóteses ainda estudadas pelos peritos do IC é de que uma reforma no telhado da Renascer no segundo semestre de 2008 possa ter “alterado a dinâmica” da tesoura que ruiu. Contratada pela Renascer por R$ 70 mil para realizar essa troca de telhas, a empresa Etersul Coberturas e Reformas Ltda não tinha licença do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea/SP). O inquérito aberto pela 1ª Delegacia Seccional já ouviu quase 140 pessoas e aguarda apenas a conclusão do laudo do IC. “Os eventuais indiciamentos vão depender do resultado do laudo”, disse o seccional Dejar Gomes Neto.

A Assessoria de Imprensa da Renascer disse que “quando procurou tomar conhecimento do suposto laudo citado pela reportagem, verificou que ele simplesmente não está pronto. Só será finalizado e divulgado daqui a cerca de 30 dias”. Informou ainda que a Igreja e seus advogados não teriam como comentar as conclusões da Poli-USP e “refutam de antemão como incompletas as informações esparsas que venham a ser ofertadas sobre tema de tal relevância e responsabilidade”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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