USP: Brasil é 13º com maior risco de epidemia

O Brasil é o 13º de uma lista de 53 países na zona tropical com maior potencial para desenvolver uma epidemia de grandes proporções. As condições socioeconômicas e os níveis de alteração e devastação ambiental foram relacionados para chegar a esse péssimo resultado.

Agência Estado |

O alerta é de um levantamento inédito no País realizado no Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).

O estudo analisou a incidência de quatro doenças hemorrágicas (febre amarela, dengue hemorrágica, Ebola e Marburg), entre 1980 e 2005. A primeira atinge a América do Sul, Central e África. Ebola e Marburg (doenças parecidas e com alta letalidade) são restritas ao continente africano. Já a dengue hemorrágica estende-se por praticamente toda a área tropical, incluindo países das Américas do Sul e Central, África e Ásia.

A conclusão é que não só a reemergência dessas doenças é cada vez maior, como também a possibilidade de surgir novas epidemias, ainda desconhecidas. “No Brasil ainda se morre de febre amarela e de dengue. Isso mostra que não estamos preparados para tratar outras possíveis doenças”, afirma o geógrafo Paulo Roberto Moraes, professor da PUC e autor da pesquisa, que se transformou em sua tese de doutorado.

O desmatamento pode contribuir para apressar o contato do homem com microrganismos que hoje estão em equilíbrio no meio ambiente. “Estamos sim à beira de uma grande epidemia na região e a natureza está dando mostras disso”, alerta Moraes. Na avaliação geral, o País - com mais de 540 mil km2 de área de floresta desmatada entre 1980 e 2000 - aparece à frente de nações como Nigéria, Serra Leoa, Vietnã, Bangladesh e Haiti.

Riscos

Para o epidemiologista da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), Luciano Toledo, ainda que a possibilidade de o País enfrentar uma epidemia de Ebola ou Marburg seja nula, o surgimento de doenças agressivas não pode ser descartado. “O que mais preocupa são as doenças que não conhecemos, principalmente os arbovírus que circulam na região amazônica e que em algum momento podem atingir a população”, diz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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