Uso de placebo será ampliado para pesquisas em todo mundo

A assembléia da Associação Médica Mundial incorporou à Declaração de Helsinque, que traz os princípios das pesquisas com seres humanos, a possibilidade de uso de placebos (substância inócua) mesmo quando existirem tratamentos para as doenças que forem objeto de estudo. O novo texto destacará, no entanto, que isso só poderá ocorrer se a pesquisa feita com placebos não causar sérios problemas à saúde dos participantes do estudo.

Agência Estado |

A mudança, decidida após encontro concluído no dia 18 em Seul, capital da Coréia, foi considerada uma derrota para o Brasil e o restante da América Latina, além de Portugal e Espanha e os países africanos, que defendiam um texto mais restritivo, que vetasse o uso das substâncias inócuas em casos em que existem terapias.

“É difícil, os laboratórios farmacêuticos são fortes e o uso do placebo passou até porque isso barateia os estudos das empresas. Infelizmente estaremos expostos a interesses econômicos”, disse Roberto D’Ávila, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina que esteve em Seul ao lado de outros representantes brasileiros.

“Para países que têm um controle das pesquisas deficiente, essa mudança pode ser problemática”, afirmou Gabriel Oselka, do Centro de Bioética do Conselho Regional de Medicina de São Paulo. O principal temor é que haja abusos em locais sem comitês de ética em pesquisa com seres humanos ou sem uma comissão nacional que cuide do tema.

Defensores da alteração, no entanto, apontam que tornar a declaração muito restritiva prejudica o avanço da ciência, pois os placebos seriam importantes para se verificar, por exemplo, o real efeito de determinadas drogas contra doenças.

Regras

A Declaração de Helsinque estabeleceu princípios para as pesquisas com seres humanos em 1964, como resposta aos crimes cometidos durante estudos realizados por pesquisadores nazistas. No entanto, como se trata de uma declaração de princípios, os países podem estabelecer regras mais rígidas ou mais flexíveis.

O Brasil tem uma rede nacional de comitês e uma comissão nacional de ética em pesquisa. Recentemente, o Conselho Nacional de Saúde, órgão de controle social do sistema público de saúde, aprovou resolução em que defendia que o texto da declaração não fosse modificado, posicionando-se contra a possibilidade de ampliação do uso dos placebos. A decisão ainda dependia de aval do ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

AE

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