Usina reduziu produção de energia para preservar meio ambiente

Tecnologia do ¿fio d¿água¿ evitou alagamento das quedas de Dardanelos e permanência de aves típicas da região

Severino Motta, enviado a Aripuanã |

Existiam dois projetos para a construção da usina hidrelétrica de Dardanelos, localizada no município de Aripuanã (1000 km a noroeste de Cuiabá-MT). Um deles previa o alagamento da região onde quedas d’água, que são atrações turísticas do local, estão localizadas. A produção ficaria em torno de 750 megawatts. Outro projeto, preservando as belezas naturais e aproveitando somente o excedente da água do rio Aripuanã, gerando 261 megawatts também foi concebido e acabou sendo o escolhido para o empreendimento.

De acordo com o diretor de Meio Ambiente do consórcio Águas da Pedra, Paulo Rogério, a tecnologia do “fio d’água” faz de Dardanelos uma usina atípica. “Se fosse ter alagamento sumiriam as cachoeiras e parte da cidade. Nós optamos pelo Meio Ambiente e o que fizemos foi desviar um pedaço do rio Aripuanã e aproveitar o excedente da água, mantendo todas as belezas naturais e aves do local”, disse.

Severino Motta, iG Brasília
Paulo Rogério Novaes
De acordo com ele, 30% da água do rio é desviada no período da cheia. Ao todo cinco turbinas funcionam em Dardanelos. À medida que o rio vai secando, explicou Novaes, as turbinas vão parando de funcionar, até ficar somente uma em atividade.

“Com esse projeto reduzimos quase a zero o impacto ambiental e conseguimos uma média anual de 160 megawatts”, disse.

No ápice da produtividade, com seus 261 megawatts, Dardanelos seria capaz de fornecer energia para 60% do Estado de Mato Grosso.

Aves

Com a chegada da usina um programa para catalogar a flora e fauna da região foi implantado. O professor da Universidade Federal de Mato Grosso, Dalci de Oliveira, é responsável pelas aves, que poderiam desaparecer da região caso as quedas d’água fossem inundadas.

Severino Motta, iG Brasília
Dalci de Oliveira
De acordo com ele, Aripuanã revelou ter a segunda maior diversidade de aves de Mato Grosso, com 520 espécies catalogadas. Na queda de Dardanelos vivem os Andorinhões, que devido à sua pata característica só se fixam em paredões. A ave, que se alimenta de insetos, ainda usa a água da cachoeira para se proteger de predadores.

“Mesmo no período mais crítico da construção não vimos baixa no número de Andorinhões, por enquanto nada foi afetado”, disse.

O desaparecimento de aves, juntamente com o alagamento das cachoeiras – o que acabou não acontecendo – , era a principal crítica de ambientalistas ao empreendimento.

“O potencial de turismo na região com essa diversidade de aves é muito grande. Existem grupos estrangeiros que viajam o mundo para observar”, disse o professor.

Severino Motta, iG Brasília
Vista aérea da Usina de Dardanelos em Aripuanã

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