Depois de a Gerdau e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciarem o religamento de altos-fornos, agora é a vez da Usiminas retomar parte da produção. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (MG), durante o último fim de semana vários trabalhadores da Usiminas foram convidados a trabalhar no religamento do alto-forno 2 na Usina Intendente Câmara.

Essa unidade possui três altos-fornos, dos quais dois estão paralisados desde o fim do ano passado. Procurada pela reportagem, a Usiminas informou que não comentará o assunto.

O presidente do sindicato, Luis Carlos Miranda, disse que o alto-forno pode levar cerca de 20 dias para voltar a funcionar. “Temos informações de que o setor siderúrgico está se recuperando e o volume de pedidos tem aumentado”, afirmou. O alto-forno 3, único em operação na usina no momento, funciona com entre 80% e 90% da sua capacidade produtiva, depois de ter operado com apenas metade da capacidade no auge da crise, de acordo com o sindicalista.

Desde janeiro, a Usiminas demitiu 1,1 mil trabalhadores na Usina Intendente Câmara, de acordo com o sindicato. Além desses, mais 1,6 mil pessoas perderam o emprego nas empresas fornecedoras de matérias-primas e de serviços da Usiminas. De acordo com Miranda, a operação do alto-forno 2 exigirá, no mínimo, cerca de 60 funcionários.

O principal estímulo para a retomada das siderúrgicas brasileiras nas últimas semanas tem sido o mercado externo. Depois de meses de crise, o mercado externo de aço está apresentando uma ligeira recuperação na demanda e nos preços, que subiram cerca de 20% no último mês, passando de US$ 430 para cerca de US$ 520 por tonelada, no caso da bobina a quente, usada como referência.

Outro fator importante foi a prorrogação do corte do Imposto de Produtos Industrializados (IPI) para os setores automotivo, construção civil e aparelhos da linha branca, que representam mais de 80% da demanda interna de aço. Segundo duas fontes do setor de distribuição de aço, os estoques devem voltar à normalidade a partir de agosto, saindo do nível atual de 905 mil toneladas, suficiente para 3,2 meses do consumo, para cerca de 2,5 meses. No auge do desaquecimento econômico, em dezembro do ano passado, os estoques da distribuição atingiram um nível suficiente para atender 6,4 meses de consumo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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