Universo da dança sofre perda irreparável com morte de Pina Bausch

SÃO PAULO ¿ Vi Pina Bausch pela última vez no segundo semestre de 2006 quando ela trouxe ao Brasil a coreografia Para as Crianças de Ontem, de Hoje e de Amanhã, que assisti quatro vezes no Teatro Alfa. Pina compareceu em todas as 10 sessões. Estava feliz. Em setembro, a Wuppertal Tanztheater, da bailarina e coreógrafa alemã, apresentaria duas célebres criações de seu repertório na Temporada de Dança 2009, do Teatro Alfa. Acordei órfão. Pina morreu aos 68 anos de vida.

Michel Fernandes, especial para o Último Segundo |


Esguia, alta, cabelos lisos e negros (quase todo grisalho, agora) amarrados num discreto rabo-de-cavalo discreto como ela, blusa e calças negras contrastando com sua pele muito clara e dois olhos azuis, sempre em estado de prontidão, emoldurando uma artista que se interessava pelos mínimos detalhes da vida para compor seus trabalhos.

Divulgação
Pina Bausch
Essa figura introspectiva há anos se ocupava tão somente da direção coreográfica. Mas, na última apresentação de "Para as Crianças..." que assisti, meu foco de atenção foi a coreógrafa que, eu vi, dançava com movimentos da cabeça, discretos movimentos de mão marcando os tempos, expressões faciais e balbuciando algumas palavras. Sim, mesmo que não estivesse em cena, ela dançava com todos os bailarinos.

E como ela era maternal no cuidado com a integridade física de seus bailarinos, mesmo com sua severa exigência na hora de criar. Ainda na sessão que realizava para alunos e outros artistas ligados à dança, espécie de ensaio geral ou pré-estreia, de "Para as Crianças de Ontem, de Hoje e de Amanhã", pediu que o ar-condicionado do teatro fosse desligado e passou metade do espetáculo para poupar um dos atores, febril e com a garganta inflamada, ainda cuidando de excluir as cenas mais cansativas em que ele estava.

Acabo de ligar para a assessoria de imprensa responsável pelo Teatro Alfa e saber que as vendas para "Caffé Müller" e "A Sagração da Primavera", agendadas para setembro, da Temporada de Dança 2009, no Teatro Alfa, continua normalmente. Virá a companhia, faltará a eterna deusa da dança-teatro.

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