Universidade reintegra aluna que foi à aula de minissaia

(Atualiza com decisão da universidade de revogar a expulsão) São Paulo, 9 nov (EFE).- São Paulo, 9 nov (EFE).

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- Um dia depois de anunciar a expulsão de uma estudante sob a justificativa de desrepeitar os princípios éticos por ela ter usado uma minissaia curtíssima, a Universidade Bandeirante, de São Bernardo do Campo, voltou atrás e reitegrou a aluna hoje à tarde ao corpo estudantil.

Diante da forte pressa, a Uniban divulgou nesta tarde um comunicado sem maiores detalhes de que o reitor da instituição tomou a decisão de anular a expulsão que tinha sido aprovada pelo Conselho Universitário.

Nesta segunda-feira, a Polícia de São Paulo abriu uma investigação contra o grupo que agrediu moralmente uma universitária por ir à aula com um vestido curtíssimo considerado "provocativo".

A Delegacia da Defesa da Mulher da Polícia Civil informou a abertura do inquérito contra os mais de cem alunos que insultaram com palavras de baixo calão e ameaçaram de agressão à estudante de turismo Geisy Arruda, 20 anos, por considerarem suas roupas indecentes.

Os fatos ganharam notoriedade no Brasil depois que as emissoras de televisão divulgaram os vídeos exibidos gravados em 22 de outubro da jovem deixando a Universidade Bandeirante (Uniban), em São Bernardo do Campo, vizinho a São Paulo, escoltada pela Polícia em meio aos gritos de alunos que a repreendiam e a ameaçavam.

No domingo, a universidade havia decidido pela expulsão de Arruda e tornou pública a posição.

A instituição justificou a decisão pela "flagrante falta de respeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade".

Entre os fatos alegados pela Uniban contra a aluna está o de "ela ter feito um percurso maior do que o habitual pelos corredores do centro para aumentar sua exposição e que inclusive chegou a posar para fotos".

Com isso, a Uniban assegura que "foi constatada uma atitude provocativa" que gerou o que considera "uma reação coletiva de defesa".

Decio Lencioni, assessor jurídico da Uniban, declarou à imprensa que a expulsão não foi motivada pela roupa em si, mas pela atitude e o comportamento da jovem.

No documento, a universidade afirmou que serão "suspensos temporariamente os estudantes que participaram da agressão e que forem devidamente identificados".

Dos mais de cem alunos que participaram do protesto e aparecem no vídeo repreendendo à jovem, cerca de dez foram suspensos.

O Ministério da Educação informou que em breve solicitará explicações à Uniban sobre sua decisão de expulsar Geisy Arruda.

A União Nacional de Estudantes (UNE) divulgou ontem à noite um comunicado repudiando a expulsão de Arruda e exigindo que a universidade "se retrate publicamente e que os agressores sejam julgados e condenados pela justiça". EFE az/dm

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