Nova York, 4 abr (EFE).- A universidade americana de Yale homenageia hoje o pernambucano Joaquim Nabuco (1849-1910), que foi embaixador do Brasil nos Estados Unidos e reconhecido neste país por seu nível intelectual e seu espírito pan-americanista.

O professor David Jackson, do Departamento de Espanhol e Português em Yale e especialista em literatura brasileira, organizou um simpósio internacional, que continuará no sábado e lembrará a vida e obra de Nabuco, embaixador em Washington entre 1905 e 1910.

A homenagem ocorre 100 anos depois de o diplomata brasileiro ter comparecido à universidade, localizada em New Haven (Connecticut), para discursar em várias conferências.

"Era uma pessoa muito interessante porque representava tanto o Império quanto a mudança", afirmou Jackson fazendo referência à transformação pela qual passava o Brasil na virada do século XIX para o XX.

Nabuco tinha grande interesse no poeta português Luis de Camões - já tinha escrito um livro sobre o autor em 1880 - e dedicou à sua obra três das dissertações que expôs nas universidades americanas entre 1908 e 1909.

Outras três foram dedicadas à civilização americana e às qualidades que, no seu ponto de vista, eram compartilhadas por Brasil e Estados Unidos.

"Era um intelectual, não apenas um estadista", ressaltou Jackson.

Nabuco nasceu em Recife, filho de uma família de classe alta e com preocupações políticas, o que o influenciou tanto em seus anos de formação durante sua criação em um engenho em Pernambuco como em sua fervorosa oposição à escravidão no país, até a abolição em 1888.

Foi um prolífico escritor em português, francês e inglês e um dos membros fundadores da Academia Brasileira das Letras.

Nabuco passou longas temporadas na França e na Inglaterra e também foi representante brasileiro em Londres, de onde se transferiu para Washington para desenvolver um trabalho diplomático que coincidiu com a Presidência de Theodore Roosevelt.

Parentes do Rio de Janeiro, diplomatas e estudioso da obra de Nabuco participarão das sessões preparadas para sexta-feira e sábado.

Entre outros, discursarão Stéphanie Dennison, da Universidade britânica de Leeds, que estudou a visão pan-americanista de Nabuco, e Leslie Bethell, da Universidade de Oxford, que dissertará sobre os vínculos entre Nabuco e a abolição da escravidão no Brasil. EFE vm/ev/db

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