A Comissão Administrativa de Inquérito (CAI) do Centro Universitário Barão de Mauá, de Ribeirão Preto, formada para avaliar a conduta dos três estudantes de medicina acusados de racismo contra um trabalhador negro, no sábado, decidiu suspender os jovens por 60 dias. Segundo o reitor da instituição, João Alberto de Andrade Velloso, o afastamento está previsto no regimento interno e o objetivo não é avaliar o fato jurídico ou policial da acusação de racismo.

"Essa comissão vai analisar até que ponto esses alunos macularam o Centro Universitário, pois temos que preservar o bom nome da instituição", disse Velloso.

O advogado dos estudantes, Carlos Mancini teve negado um pedido de reconsideração da decisão tomada na segunda-feira pela entidade. "O ato de racismo não ocorreu, e, mesmo se tivesse ocorrido, não foi nos limites da faculdade nem com o uso de uniformes. Foi um fato isolado e os estudantes não usaram o nome da faculdade em momento algum", argumentou Mancini.

Agressão

No sábado, os estudantes Emílio Pechulo Ederson, de 20 anos, Felipe Giron Trevisani, de 21, e Abrahão Afiune Júnior, de 19, foram presos por agredirem o auxiliar de serviços gerais de outra instituição universitária particular, Geraldo Garcia, de 55 anos.

Um dos jovens usou um tapete enrolado para acertar as costas de Garcia, e ainda gritou "negro" a ele, numa das principais avenidas da cidade. Seguranças de um evento viram o fato e perseguiram os jovens, que foram detidos pouco depois e presos em flagrante por racismo e agressão.

O juiz de plantão Ricardo Braga Monte Serrat concedeu a liberdade provisória aos três, sob pagamento de fiança de R$ 5.580 cada, na noite de sábado.

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