Uma solução criada pelo governo Sérgio Cabral (PMDB) para desafogar a fila nas emergências de hospitais públicos no Rio de Janeiro promete se tornar vedete do debate eleitoral em 2010. As Unidades de Pronto-Atendimento 24 horas (UPAs), implantadas pelo secretário de Saúde e Defesa Civil, Sergio Côrtes, caíram no gosto da população e foram adotadas como política de governo na gestão do ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

O governo federal já inaugurou 123 unidades em todo o País e promete abrir mais 377 até o fim de 2010. Modelo semelhante foi adotado pela cidade de São Paulo com a Assistência Médica Ambulatorial (AMA).

As UPAs fazem atendimentos de emergência de baixa e média complexidade. A primeira foi inaugurada em 2007. Atualmente, o Estado tem 22 UPAs e até o fim do ano serão inauguradas mais 46. No fim de semana, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, inaugurou a primeira UPA municipal.

A pesquisadora Lígia Bahia,do Laboratório de Economia Política da Saúde (Leps) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), considera que a UPA não atende às grandes emergências nem presta atendimento continuado, mas que funciona politicamente. “É uma marca de governo que vai ser muito explorada nas eleições”, afirma. “É uma solução improvisada e que não soluciona o principal problema da saúde no Rio”, que é a falta de atendimento continuado para doenças crônicas.

Para Lígia, o modelo das UPAs - em que a maioria dos profissionais é do Corpo de Bombeiros e os exames são feitos em parceria com laboratórios privados - vai contra os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). “Nos perguntamos como Temporão, um defensor ardoroso do SUS, pode concordar com a UPA, que é um anti-SUS”, questiona. Para o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, “a UPA não diminuiu a fila nos hospitais porque o sistema que antecede esse atendimento, a atenção básica, está falido”.

Defesa

O diretor do Departamento de Gestão Hospitalar do Rio, Oscar BerroBerro, discorda e diz que o governo federal anunciou, em parceria com Estado e município, o Plano de Expansão da Atenção Primária - seriam em 2010 mais 40 postos, 216 equipes do Programa de Saúde da Família, 89 de saúde bucal e 1.296 agentes comunitários. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

AE

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.