Alimentação inadequada e falta de informação contribuem para um problema de grandes proporções no Brasil: a anemia infantil. Estima-se que 45% das crianças brasileiras, de até 5 anos, apresentem esse quadro, em todas as classes sociais (dados do Unicef).

Como medida preventiva, o governo obriga que as farinhas sejam enriquecidas com ferro, porém, especialistas alegam que nem sempre a qualidade desse nutriente é fiscalizada.

Por definição, a anemia caracteriza-se pela diminuição dos glóbulos vermelhos, os responsáveis pelo transporte de oxigênio no sangue. Nos casos mais graves, pode haver repercussão no sistema nervoso, gerando dificuldade de aprendizado ou até problemas cardíacos. A causa mais comum é a deficiência de ferro, responsável por 99% dos casos. Os bebês que nascem prematuros têm alta propensão à anemia, porque é durante o último trimestre da gestação que a maior parte do ferro se acumula no embrião. Há, porém, outros fatores, como a tendência hereditária para apresentar doenças que causam anemia.

Deve-se desconfiar quando a criança apresenta palidez (especialmente na palma da mão e na língua) e sinais de cansaço, ficando sem energia até mesmo para brincar. Para a surpresa de muitos, os médicos são taxativos: recomendam o consumo da carne vermelha, por ser a melhor fonte de ferro. Apesar de as verduras e leguminosas conterem o nutriente, a absorção pelo organismo é muito menor. Os vegetarianos devem, como alternativa, intensificar o uso de verduras verdes escuras na dieta e dar suplementação de ferro às crianças, com a devida orientação médica.

"A cultura alimentar do Brasil predispõe a um baixo consumo de ferro: as carnes vermelhas estão entrando em desuso. Come-se muita massa, principalmente pães, que são pobres em ferro", comenta o pediatra e professor do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Claudio Leone, que também é presidente do Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Uma das principais causas da anemia é a alimentação inadequada a partir dos 6 meses, quando a criança deixa de ter o leite materno como alimento exclusivo. Uma boa matriz alimentar, desde essa fase de transição, previne o problema. "A partir dos 6 meses, a criança deve comer de tudo, com a introdução lenta e progressiva dos novos itens." O pediatra recomenda sucos de frutas, vegetais e carnes. "A partir dos 2 anos, a criança deve estar ingerindo tudo o que faz parte do cardápio adulto."

Fabiana Caso

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