Uniban analisa vídeos para identificar quem hostilizou aluna de minissaia

SÃO BERNARDO DO CAMPO - A comissão de sindicância da Uniban vai analisar novos vídeos nesta quarta-feira para tentar identificar as pessoas que hostilizaram no último dia 22 a estudante de Turismo Geyse Arruda, de 20 anos, por usar uma minissaia. O assessor jurídico da Reitoria, Décio Lencioni Machado, afirmou que alguns suspeitos já foram identificados por meio de depoimentos e vídeos publicados na internet. Machado diz, no entanto, que o depoimento da aluna é fundamental para que penas possam ser aplicadas.

Nara Alves, iG São Paulo |

"Já temos uma ideia, mas ainda precisamos do depoimento dela. Convocamos a aluna várias vezes para fechar o processo de sindicância, mas isso não aconteceu até hoje, ela agora está dando prioridade para a imprensa", considera Machado. De acordo com o assessor jurídico, a reitoria se reuniu na tarde desta terça-feira com dois advogados de Geyse, que estudam processar a Uniban. Para os advogados, teria havido negligência por parte dos seguranças da universidade no momento do tumulto.

Alunos, professores, coordenadores e funcionários já foram ouvidos pela sindicância. "A faculdade pode aplicar penalidades disciplinares aos alunos envolvidos, que podem ser advertidos ou expulsos, e também ao corpo docente", esclarece. Segundo o assessor, a ausência do depoimento de Geyse "só prejudica a aluna e colabora para o desgaste da imagem da instituição". E adiantou que, quando ela comparecer à universidade, terá o acompanhamento de um fiscal e de um coordenador do curso para garantir sua integridade física. Desde o dia em que precisou sair escoltada, Geyse Arruda ainda não retornou às aulas.

Protesto

Usando narizes de palhaço, aproximadamente 50 alunos da Uniban protestaram, no início da noite desta terça-feira, em frente à unidade de São Bernardo do Campo da universidade. Segundo os manifestantes, o episódio está manchando o nome da universidade e isso irá prejudicar a sequência de suas carreiras profissionais.

De acordo com Reginaldo Silva do Nascimento, de 28 anos, estudante do terceiro ano de Turismo, o incidente não pode sujar o nome da Uniban. Eu quero limpar o nome da universidade em que eu estudo, porque eu não acho justo essa palhaçada. Eu não quero que a universidade em que estudo há três anos fique com o nome sujo. Já a estudante Nilse dos Santos Osório, do último ano de Turismo, teme pela vida profissional após o fim do curso. Vai ficar complicado quando formos procurar emprego, afirmou.

O caso

No dia 22 de outubro, uma quinta-feira, a estudante foi à universidade, localizada em São Bernardo do Campo, no ABC, com um vestido rosa curto. Quando subia uma rampa, alguns alunos começaram a assobiar e cantá-la, mas, em pouco tempo, os gracejos deram lugar a ofensas e palavrões. Quando entrou no banheiro, Geyse conta que uma roda se formou e ela precisou da ajuda dos colegas para conseguir chegar até a sala de aula. Diversos alunos tiraram fotos e filmaram com o celular.

A confusão só acabou por volta das 22h com a chegada da Polícia Militar, que abriu caminho entre os estudantes com ajuda de spray de pimenta e escoltou a jovem até a casa dela. Por cima do vestido, Geyse colocou um jaleco branco fornecido por um professor. No dia seguinte ao fato, o vídeo com os xingamentos já estava no YouTube e contabilizava milhares de acessos.

A Uniban informou que abriu uma sindicância para apurar o ocorrido no campus e punir quem começou a confusão. Por outro lado, Geyse acusa a universidade de não garantir a sua segurança e diz que pretende processar a instituição.

Assista ao vídeo que mostra o tumulto na universidade:

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