Unesco recupera indústria do tango abalada pela crise e gripe A

Buenos Aires, 3 out (EFE).- A indústria argentina do tango recebeu como um bálsamo a declaração do gênero como patrimônio cultural imaterial da Humanidade com a confiança que a distinção sirva para superar a ressaca da crise econômica e à pandemia da gripe A.

EFE |

Como consequência imediata da menção concedida pela Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), aparece a possibilidade de buscar financiamento internacional para preservar e resgatar a memória do tango.

Unidos na busca do reconhecimento, Argentina e Uruguai agora se comprometem a criar iniciativas para promover o gênero como identidade e arte.

"Esperamos que a influência seja positiva, mas não podemos saber ainda, as perdas foram grandes. Por enquanto, já estamos trabalhando melhor e já notamos um aumento do turismo" aponta à Agência Efe Rosa Hendlin, encarregada da área comercial da BocaTango.

As perdas à que se refere Hendlin afetaram especialmente os locais que oferecem espetáculos de tango, duramente castigados pela queda do turismo provocada pela crise econômica internacional e as seqüelas da pandemia da gripe A na Argentina, um dos países mais castigados pela doença.

"A situação se complicou bastante, grupos europeus não queriam vir pela pandemia. Mas olhamos setembro com boas perspectivas, que é quando começa a alta temporada", explica Analía Basyk, executiva de contas do Teatro Astor Piazzolla.

Fontes do setor, no entanto, admitem a dificuldade de alcançar neste ano os resultados da temporada passada, quando as casas de dança registraram mais de 3 mil espectadores por dia entre os meses de setembro e março, número que contrasta com os cerca de 600 que atualmente assistem aos espetáculos.

Será difícil também equiparar o desempenho econômico alcançado em 2008, quando o setor gerou um volume de negócios de 300 milhões de pesos (cerca de US$ 85 milhões).

Cerca de 80% do público que assiste aos shows de tango em Buenos Aires é estrangeiro, a maioria europeu, mas há uma parcela significativa de brasileiros que neste ano cancelou as férias de inverno.

Segundo estimativas oficiais, o fluxo turístico caiu 39% na Argentina em julho. Embora o Brasil e o Chile sejam os países que maior quantidade de turistas enviou ao país ao longo do ano, o turismo brasileiro para a Argentina reduziu 71,6% e o chileno 17,6%.

Guillermo Divito, proprietário do local BocaTango, admite que "nos espetáculos de tango participam cerca de 30 pessoas e às vezes o número de artistas supera o do público presente".

"Fechamos a casa três dias por semana, foi um acordo firmado com a Câmara do Tango para todas as Casas" acrescenta Rosa Hendlin.

Mas a queda de público e de receita não afetou todos os locais da mesma maneira.

"Tivemos uma perda de público de 70%, mas O Velho Armazém por sua trajetória de 40 anos não cancelou apresentações nem fechou um dia sequer", assinala à Agência Efe Luis Veiga, presidente da Câmara de Casas de Tango e Música Popular Argentina.

Até a casa de tango Esquina Carlos Gardel admite a queda na frequência de turistas, mas "o ponto segue funcionando de maneira normal, não tivemos que cancelar espetáculos".

Apesar da redução na venda de ingressos para os locais do setor, o "2x4" segue fomentando paixão na Argentina, como foi constatada na última edição do Mundial de tango, em agosto, que atraiu milhares de pessoas.

Sucesso que seguramente se repetirá no próximo ano, como reforça a psicóloga colombiana Cynthia Quiroga em sua tese apresentada na Universidade de Frankfurt, na Alemanha, em que atribuiu ao tango não só a melhoria do ânimo, mas também a redução do estresse e um maior desejo sexual. EFE rrv/dm

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