Unesco contabiliza 2.500 línguas em perigo de desaparecimento

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, contabilizou 2.500 idiomas em perigo de extinção, de um total de 6.000 existentes no mundo; estão em risco centenas de falas indígenas do Brasil e do México, segundo a nova edição do Atlas das Línguas do Mundo sob Perigo de Desaparecimento lançado nesta quinta-feira em Paris.

AFP |

O Atlas constata, por exemplo, o paradoxo existente entre países que possuem grande diversidade linguística e que são, ao mesmo tempo, os que apresentam maior número de línguas em perigo, estando entre eles Brasil, México, Indonésia e China.

A atualização do Atlas faz parte das comemorações do dia Internacional da Língua Materna, hoje.

De acordo com o Atlas, um idioma passa a ser ameçado quando os falantes deixam de usar a língua e de transmiti-la para futuras gerações, sob a influência de fatores externos de naturezas militar, econômica, religiosa, política e cultural.

"O desaparecimento de uma língua leva também ao desaparecimento várias formas de patrimônio cultural e material, em particular, o legado inestimável das tradições e expressões orais da comunidade que a fala, incluindo poemas e anedotas, provérbios e legendas", comentou o diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura.

"A perda dos idiomas indígenas acontece, também, em detrimento da biodiversidade, porque as línguas veiculam numerosos conhecimentos tradicionais sobre a natureza e o universo", acrescentou.

No entanto, a situação apresentada no Atlas não é exclusivamente alarmista, pois destaca que, graças a uma vontade política favorável, aumentou o número de pessoas que falam línguas indígenas originárias.

Tal é o caso do aymará e do quechua no Peru, do maori na Nova Zelândia, do guarani no Paraguai e de várias outras línguas de Canadá, Estados Unidos e México, segundo o texto.

O caso do guarani no Paraguai é considerado exemplar. Desde a inscrição desse idioma na Constituição do país, o número dos que o falam passou de 3,6 milhões, em 1992, para 4,4 milhões de pessoas, dez anos mais tarde, e esta língua indígena se situa quase no mesmo nível do espanhol.

O México, em 2003 mediante uma lei, concedeu aos povos indígenas do país o direito ao ensino bilingee, o que gerou o desenvolvimento de toda uma geração de professores das diferentes línguas originárias.

A nova edição do Atlas que se presenta sob uma forma interativa foi realizada por uma equipe de 25 linguistas dirigidos pelo australiano Christopher Moseley.

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