O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, declarou hoje que a reunião extraordinária de cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) não será suficiente para pôr um ponto final na crise entre a Colômbia, de um lado, e a Venezuela e o Equador, de outro. A Unasul, no seu ponto de vista, terá relevância não só na solução de conflitos na região, mas também será a instância responsável por coordenar as posições da América do Sul em um mundo multipolar.

"Colocar um ponto final seria muito desejável. Mas isso passa por outros processos de aproximação, inclusive pelo diálogo bilateral, para o qual a Unasul pode cooperar bastante", afirmou ele. A abertura do encontro de chefes de Estado da América do Sul, no qual será assinado o tratado constitutivo da Unasul, começará em instantes. "Estamos marchando para um mundo multipolar e, evidentemente, a América do Sul tem de decidir se quer participar desse mundo multipolar ou não. A Unasul é uma resposta a essa pergunta."

Segundo Garcia, se a Unasul estivesse formalizada no momento em que a crise foi detonada, em março passado, os países da América do Sul não teriam recorrido à Organização dos Estados Americanos (OEA) e ao Grupo do Rio. "Essas coisas poderiam ter sido resolvidas aqui", resumiu, ao destacar o papel importante que a Unasul terá não apenas no processo de integração econômica e social da região, mas também na área política e de defesa.

Para o assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a reunião de cúpula da Unasul não deverá ser contaminada pelas informações de que a Interpol teria em suas mãos provas da colaboração dos governos do Equador e da Venezuela às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

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