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Umberto Eco diz que daria Lolita a Berlusconi

Madri, 19 mai (EFE).- O escritor e semiólogo italiano Umberto Eco disse hoje em Madri que daria o romance Lolita, do escritor russo Vladimir Nabokov, de presente ao primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, em virtude das últimas notícias divulgadas sobre ele.

EFE |

Horas antes de receber uma medalha de honra em Madri, Eco, um dos intelectuais mais renomados dos últimos tempos, concedeu uma entrevista coletiva na qual lhe perguntaram o que está acontecendo com os italianos, por manterem Berlusconi no poder.

O autor de "O Nome do Rosa" respondeu que não tem nada acontecendo e que "os italianos são todos assim".

"Primeiro, (os italianos) apoiaram o fascismo. O abandonamos quando já havia um milhão de cidadãos mortos. Depois, aguentamos 50 anos de democracia cristã, e agora elegem um personagem piadista e caudilho. Agora, só falta Berlusconi matar um milhão de italianos, mas eu estou velho para ver isso. Se isto acontecesse, me exilaria na Espanha", disse Eco bem-humorado.

O escritor, de 77 anos, também disse acreditar que os livros impressos não desaparecerão por causa das versões eletrônicas. "Não conseguiremos nos livrar dos livros", afirmou.

Além disso, declarou ter visto livros de mil anos na Biblioteca Nacional de Madri, e que ninguém sabe quanto tempo dura um disquete de computador. "Eu não poderia ler Proust em formato digital. Seria impossível. Se eu tivesse que deixar um legado para o futuro, deixaria um livro, e não em formato digital", afirmou.

Mas com relação ao jornal impresso, não se mostrou tão otimista.

"Eu gosto de abrir as folhas do jornal tomando o café de manhã, mas já não sei se isso é o que meu neto pensa".

"A ameaça à liberdade de imprensa", argumenta, "já não tem a ver com ditadores ou com censuras. Sabemos que existe na Rússia de (Vladimir) Putin ou na Coreia do Norte, mas isso não é o que acontece na maioria dos países", disse.

O escritor foi além ao afirmar que, "para fazer um jornal, são perdidas 40 páginas com publicidade". "Os jornais são obrigados a conseguir muitas notícias para sobreviver e não estão dispostos a abandonar a batalha. Hoje há uma censura por excesso de informação", acrescentou.

O autor de "O Pêndulo de Foucault" também se mostrou pessimista com relação ao futuro da televisão pública.

"Na Itália não existe (televisão pública), porque está sob o controle de Berlusconi. Portanto, tornou-se privada. O conteúdo mais interessante é produzido nos Estados Unidos, onde toda a televisão é privada, menos um canal, o 13, que tem programação cultural e é considerado público. Vamos ver o que acontece", disse.

O escritor também afirmou que os intelectuais "não têm virtudes proféticas, que a figura do intelectual é um mito da esquerda". No entanto, acredita que "o intelectual tem que influenciar mais em longo prazo, não de forma imediata". EFE crs/pg/sc

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