Um ano após a morte de Ryan Gracie, MP ainda não denunciou nenhum suspeito

SÃO PAULO ¿ Um ano após a morte do lutador de jiu-jitsu Ryan Gracie, em 15 de dezembro de 2007, o Ministério Público (MP) Estadual ainda não denunciou nenhum suspeito. Apesar do atraso, o MP alega que denunciará o psiquiatra Sabino Ferreira de Farias Neto, que medicou Gracie na cadeia, até a sexta-feira desta semana.

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

De acordo com informações da assessoria do órgão, o promotor do caso, Paulo Damico Júnior, passou o último final de semana analisando o processo para decidir se denunciará Farias Neto por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) ou doloso (quando há a intenção). Esta seria a única dúvida ainda a ser solucionada, mas  Damico Júnior não concluiu o texto e só deve falar do assunto no final da semana.

Em entrevistas à imprensa, o promotor já insinuou que pretende denunciar Farias Neto por homicídio doloso. Em março, durante participação no programa Fantástico, da rede Globo, ele disse que o psiquiatra "assumiu o risco de matar Ryan Gracie ao ministrar medicamentos que potencializaram o efeito da cocaína". Se Neto for condenado por homicídio doloso pode pegar pena de 12 a 30 anos de reclusão. No caso de morte sem a intenção de matar, a pena varia de 1 a 3 anos.

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Ryan Gracie foi encontrado morto no dia 15 de dezembro de 2007

Em 25 de abril, o Grupo de Atuação Especial e Controle Externo da Atividade Policial (Gecep), do Ministério Público, o denunciou por corrupção passiva. O psiquiatra é acusado de ter oferecido dinheiro para um carcereiro do 91º Distrito Policial de São Paulo para que Gracie tivesse regalias enquanto permanecesse na carceragem.

No Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), uma sindicância para apurar a conduta de Neto foi aberta, mas até o momento nenhuma conclusão foi obtida. Segundo informou a assessoria do conselho, a sindicância corre em sigilo e não tem data para mostrar seus resultados.

Apesar da sindicância, a clínica que o psiquiatra administra em Atibaia continua funcionando normalmente. Na época da morte de Ryan, o fechamento foi anunciado pela imprensa devido às dívidas e falta de pacientes, mas, de acordo com uma de suas funcionárias, nunca chegou a fechar. Isto foi uma grande mentira.

Já o advogado que defendeu Sabino por quase todo o ano de 2008, Sérgio Habib, desmente a informação. A clínica estava fechada e reabriu há uns dois ou três meses, disse. Ele parou de defender o médico na época da reabertura da clínica. Agora, o caso está com Hélio Bialski.

Segundo o Tribunal de Justiça, o processo está em andamento na 29ª Vara Criminal, no Fórum da Barra Funda, em São Paulo. O réu foi interrogado pelo juiz no dia 6 agosto. No entanto, ainda não há previsão para a divulgação da sentença.

Hoje, Sabino vive na ponte Salvador-Atibaia, onde mantém sua clínica. Ele chegou a se mudar definitivamente para a Salvador, quando Ryan morreu, porque, segundo seu advogado, estava muito abalado, mas com a volta ao normal das atividades da clínica, está morando mais em São Paulo do que na Bahia, disse Habib.

O caso

No dia 14 de dezembro de 2007, Ryan Gracie foi detido suspeito de ter roubado o Corolla de um idoso no bairro do Itaim Bibi, na zona oeste de São Paulo. Conforme a Secretária de Segurança Pública (SSP), Gracie se dizia perseguido pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com a polícia, após assumir a direção do veículo, Ryan bateu em um banco de cimento. Em seguida, tentou roubar a moto de motoboy com uma faca. Porém, o motociclista desferiu-lhe um golpe na cabeça com o capacete. Ajudado por outros motoboys, a vítima dominou Gracie e chamou a polícia, que o levou ao 15º DP. Depois de depor, o lutador foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização dos exames toxicológico e de corpo-delito.

A família de Gracie chamou o psquiatra Sabiano de Farias, que já havia cuidado do lutador em outro momento, para avaliá-lo na delegacia. Neto medicou o lutador e deixou o local na madrugada. No dia 15 de dezembro, Gracie foi encontrado por policiais morto na cela.

O laudo do Instituto Médico Legal de São Paulo (IML), divulgado no dia 2 de fevereiro, informa que Ryan Gracie morreu devido a uma combinação de drogas e remédios.

No corpo dele foram encontrados sete medicamentos diferentes. Segundo o médico legista do IML Laércio de Oliveira, o lutador fez uso dos calmantes Dormonid e Frontal no dia de sua morte. Além disso, o laudo aponta a presença dos antipsicóticos Aloperidol e Leporex e do anti-alérgico Fernegan, que teriam sido dados pelo psiquiatra.

Conforme a polícia, Neto relatou que administrou ao paciente também doses de Diazepan (tranqüilizante), Captopril (contra hipertensão) e Dopalax, mas esses não foram apontados no exame do IML.

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