Último réu da morte de Dorothy Stang é julgado

A sessão do júri, presidida pelo juiz Raimundo Moisés Alves, pode se estender até sábado

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Fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como Taradão, é julgado por morte de missionária
Começou nesta sexta-feira, no plenário do andar térreo do Fórum Criminal de Belém (Cidade Velha), o julgamento do único acusado da morte da missionária Dorothy Stang que ainda não havia sentado no banco dos réus.

O fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como Taradão, ainda não tinha sido julgado porque estava recorrendo em instâncias superiores contra a decisão de ser submetido a júri popular. Segundo o Tribunal de Justiça, ele é acusado de encomendar, mediante promessa de pagamento, a morte da missionária. A sessão do júri, presidida pelo juiz Raimundo Moisés Alves, pode se estender até sábado. 

A primeira testemunha a ser ouvida foi Roberta Lee Spires, conhecida como “irmã Rebeca”, que falou sobre o trabalho desenvolvido pela irmã Dorothy no Brasil desde que chegou ao país, em 1966. Ela discorreu ainda sobre as denúncias de irregularidades fundiárias na região de Altamira feitas pela missionária, que envolviam fazendeiros, inclusive Regivaldo. Além do magistrado, a acusação e defesa também questionam as testemunhas.

Em seguida, foi ouvido o ex-funcionário do Incra em Altamira, Bruno Lourenço Kempner, que prestou informações sobre os trabalhos da instituição na área correspondente ao Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) defendido pela missionária para ser implantado em favor dos colonos.

Na sequência foi ouvido o delegado da Polícia Federal, Ualame Machado, que atuou no inquérito que investigou o crime de assassinato em que foi vítima a missionária. Ele detalhou como se deram as investigações, inclusive quando da acareação entre Amair Feijoli da Cunha, Rayfran Sales e Clodoaldo Batista, sobre a promessa de recompensa (R$ 50 mil) para o cometimento do crime. As demais testemunhas arroladas pelo Ministério Público e presentes à sessão, Edgar Ferreira e Clodoaldo Batista, foram dispensadas pela acusação.

Entre as testemunhas apresentada pela defesa, Amair Feijoli da Cunha, já condenado no processo como intermediador do assassinato da missionária, negou a participação de Regivaldo Pereira Galvão no crime. Amair pediu desculpas por envolvê-lo na questão como mandante do assassinato. Em interrogatórios nas fases de inquérito e processual, Amair delatou Vitalmiro Moura e Regivaldo como mandantes da morte da missionária Dorothy Stang, inclusive recebeu como benefício previsto na legislação penal a redução de um terço da pena (foi apenado em 27 anos pela intermediação do homicídio, mas teve como sentença final a dosimetria de 18 anos de reclusão), chamada de delação premiada.

O depoimento de Amair, que foi ouvido como informante do juízo por ter envolvimento direto com o processo e não ter compromisso com a verdade, teve a duração de cerca de uma hora e meia. Ele respondeu a perguntas do Juízo, da defesa e da acusação e afirmou que recebeu dinheiro de Vitalmiro, esclarecendo que os valores resultaram de negociação de gado entre ambos. Explicou ainda que as várias vezes que sua esposa, Elizabeth da Cunha, visitou Vitalmiro na prisão foram para tratar sobre o pagamento dos gados comercializados. Com o encerramento da fase de oitiva de testemunhas, o juiz Moisés Flexa iniciou nesta tarde o interrogatório do réu Regivaldo Galvão.

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Manifestantes exigem justiça em frente ao Fórum Criminal de Belém, no Pará, nesta sexta-feira

Morte da missionária

O crime ocorreu em 12 de fevereiro de 2005 em Anapu (PA). Por volta das 7h30, a missionária Dorothy Stang seguia para uma reunião com colonos na cidade de Anapu, no Pará. No caminho, encontrou Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Carlos Batista, os quais, conforme o Ministério Público, aguardavam a passagem da vítima.

Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros, disparados por Rayfran, réu confesso. Segundo o Tribunal de Justiça, Clodoaldo atuou como facilitador para a ação de Rayfran, distraindo a vítima.

O crime teria sido encomendado a um valor de R$ 50 mil, sendo Rayfran e Clodoaldo denunciados como executores, Amair Feijoli da Cunha como intermediador, e os fazendeiros Vitalmiro Bastos de Moura (Bida) e Regivaldo Pereira Galvão como mandantes.

Até agora, foram condenados Rayfran das Neves, que cumpre pena de 28 anos de prisão, Clodoaldo Batista, condenado a 17 anos, e Amair Feijoli, a 18 anos, e o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, a 30 anos. Ela morava havia mais de 20 anos na região, ajudando agricultores ameaçados por fazendeiros e madeireiras ilegais.

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