Último desfile de Alexander McQueen é festa de cores e alegria

Por Sophie Hardach PARIS (Reuters Life) - O desfile da coleção final do estilista britânico Alexander McQueen, na segunda-feira, revelou uma festa de cores e texturas, destacando seu talento e sua paixão pelo espetacular, semanas apenas após seu suicídio.

Reuters |

A mídia britânica informou que McQueen estava inconsolável devido à morte de sua mãe, no início do mês passado, e que tinha um histórico de depressão.

Suas criações na coleção mostrada na segunda, porém, revelam o outro lado de sua personalidade: repleto de alegria e amor à vida.

Assistentes fizeram força para controlar as lágrimas enquanto assistiram a modelos com expressões impassivas desfilando roupas que seriam próprias para seres místicos.

Um casaco de penas douradas cobria parte de uma suave saia branca pregueada; um longo vermelho era enfeitado com milhares de discos dourados que farfalhavam a cada passo da modelo, e uma capa veneziana preta, bordada, evocava mistérios de capa e espada.

Traindo a inspiração nos grandes mestres da pintura, tecidos eram puxados de lado para revelar bordados dourados, uma saia de penas ou um vislumbre de pele. Estampas refletiam as fantasias sangrentas de Hieronymus Bosch, enquanto vestidos longos e flutuantes lembravam a doçura de uma Vênus de Botticelli.

Conhecido como o rebelde da moda, McQueen ficou famoso com ideias provocantes como as calças de cós baixo e ar desleixado, mas seus trabalhos posteriores não foram tão chocantes e sim deslumbrantes, provocando um senso de encantamento.

Nas últimas semanas, varejistas vêm relatando um aumento grande nas vendas de suas roupas e acessórios. A coleção de outono estava quase pronta no momento em que McQueen se matou.

"Tudo foi inspirado e desenvolvido por Lee, e todos os moldes foram cortados por ele", disse à Reuters o executivo-chefe da Alexander McQueen, Jonathan Akeroyd, chamando o estilista por seu primeiro nome.

"Tudo já estava nas etapas finais, então foi preciso apenas finalizar as peças", disse Akeroyd após o desfile. "Tivemos quatro semanas nas quais concluir o trabalho dele."

McQueen tinha visualizado um espetáculo extravagante. O desfile de sua coleção primavera, no ano passado, teve câmeras robóticas e modelos usando sapatos altíssimos com garras. Mas após seu suicídio, em Londres, em fevereiro, a maison optou por realizar o desfile num ambiente contido, numa mansão discreta a pouca distância do Sena.

"À luz do que aconteceu, decidimos que essa seria a maneira melhor de fazer o desfile, em um ambiente de perfil baixo". disse Akeroyd, acrescentando que ainda não está sendo aventado o nome de um sucessor de McQueen.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG