¿Última Parada 174¿ abre Festival do Rio em sessão de gala; organização quer bater recorde de público

RIO DE JANEIRO ¿ Foi dada a largada. A sessão de gala do filme ¿Última Parada 174¿, do diretor Bruno Barreto, para convidados, na noite desta quinta-feira, no cinema Odeon, no centro do Rio, abriu a décima edição do Festival do Rio. Uma das maiores mostras de filmes do País exibirá, até o dia 9 de outubro, 350 filmes de 60 países, divididos em 20 mostras, em 30 salas de cinema da cidade.

Anderson Dezan, do Último Segundo |

Acordo Ortográfico De acordo com a diretora-executiva do festival, Ilda Santiago, que divide a direção do evento com Walkiria Barbosa, a expectativa para a edição deste ano é grande. Segundo ela, a principal característica da maratona 2008 é a mudança. Em 1999, primeiro ano do festival, a Première Brasil, mostra dedicada a filmes nacionais, contou com sete longas. Este ano, mais de 40 produções foram selecionadas. Ilda ressalta ainda que a direção do evento também tem como meta aumentar o público do ano anterior. Pretendemos, com esta edição, superar a marca de público de 2007 em 10%, afirma, almejando 300 mil espectadores.

Segundo Walkiria Barbosa, o Festival do Rio 2008 está totalmente dedicado ao público. A longa lista de opções de filmes da maratona conta com produções de diretores consagrados que já foram exibidas nas principais mostras de cinema do mundo. Entre os exemplos, estão Queime depois de ler, dos irmãos Coen, que abriu o último Festival de Veneza, Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, exibido no Festival de Cannes deste ano, e o filme de abertura, Última Parada 174, selecionado para o Festival de Toronto. Vale lembrar, ainda, que o longa, orçado em R$ 8 milhões foi selecionado pelo Ministério da Cultura como o representante do Brasil a uma das cinco vagas de melhor filme estrangeiro no Oscar.

Abrimos a Prèmiere Brasil deste ano em grande estilo com o Última Parada 174. Os brasileiros como um todo vão ficar muito felizes com o que nós preparamos para a edição 2008 do Festival do Rio, afirma Walkiria.

Última Parada 174

Para o diretor Bruno Barreto, abrir um evento da importância do Festival do Rio e, ainda mais, em um cinema histórico como o Odeon, é uma grande honra. Ele revelou que ficou instigado com o documentário Ônibus 174, de José Padilha (Tropa de Elite), e resolveu construir um relato ficcional para contar a história do encontro de um adolescente órfão e de uma mulher obcecada pela memória do filho perdido.

Última Parada 174 é um filme sobre a condição humana e não sobre a condição social do Brasil. Sua história, baseada em acontecimentos reais, narra as trajetórias de uma mãe que perde o filho e de um filho que perde a mãe, define o diretor.

De acordo com o roteirista do longa, Bráulio Mantovani (Cidade de Deus, Tropa de Elite), mesmo inspirado em fatos reais, o longa é de ficção e tem o mérito de falar de miséria com um viés inédito, sem uma visão sociológica e sem tentar explicar, desculpar ou denunciar.

O projeto foi difícil por ser baseado em uma história real. Foi complicado distanciar a realidade para criar uma ficção. O que aconteceu no dia do sequestro do ônibus a gente não precisa contar, todo mundo viu. Difícil foi criar o que veio antes, diz. Para Bruno, o que importava era buscar a verdade dos personagens, o que não é muito comum. E acho que ele conseguiu, completa.

Segundo os pais de Bruno, Luiz Carlos e Lucy Barreto, o longa tem o mérito de exibir uma tragédia sob uma outra ótica: a visão dos personagens. Este filme tem um ponto de vista de dentro pra fora. A visão das pessoas que estão dentro do processo, reflete Luiz. Essa é uma história de um personagem, assim como era o filme Pixote ¿ A lei do mais fraco [de Hector Babenco], compara Lucy.

Michel Gomes, que vive Sandro do Nascimento no filme, revela que ficou com um pouco de receio ao ser escolhido para o papel, mas logo depois se animou com a idéia de atuar em uma história que parou o País. O ator conta que na época do ocorrido, ele tinha apenas 11 anos e que não acompanhou o noticiário. No entanto, se recorda da repercussão que o caso teve entre os familiares e amigos. Segundo Michel, que já esteve em Cidade de Deus e na série e no filme Cidade dos Homens, ainda faltava em sua carreira um protagonista.

Eu sempre sonhei em protagonizar um filme. Uma produção do Bruno Barreto, então! Posso dizer, sem dúvida, que essa foi a melhor experiência da minha vida, comemora. Sou ator há oito anos e tenho certeza de que este papel será muito marcante para minha vida e minha carreira.

História

Última Parada 174 narra a história do jovem Sandro do Nascimento, que no dia 12 de junho de 2000 parou o Brasil ao sequestrar um ônibus da linha 174 (Central ¿ Gávea). O longa mostra a infância do personagem, quando teve a mãe assassinada a facadas, o período em que viveu com garotos de rua na Candelária, como sobreviveu a uma chacina ocorrida no local e o encontro com sua mãe adotiva, que procurava o filho perdido.

Além da direção de Bruno Barreto e do roteiro de Bráulio Mantovani, o longa tem fotografia do francês Antoine Herbelé (Paradise Now) e direção de arte de Cláudio Amaral Peixoto (Lisbela e o Prisioneiro, Meu Nome não é Johnny). O elenco conta com nomes conhecidos, como Cris Viana, que vive a mãe adotiva de Sandro, e André Ramiro, que interpreta o major do Bope que negocia com o sequestrador.

Última Parada 174 estréia para o grande público no dia 24 de outubro, mas terá uma sessão aberta nesta sexta-feira no Festival do Rio. A exibição está marcada para as 17h30, no cinema Palácio, no centro do Rio. Os ingressos custam R$ 13 (inteira) e R$ 6,50 (meia).

Público fiel

A diretora-executiva do festival festeja desde já a adesão maciça do público, que no primeiro dia já fazia fila nas bilheterias para comprar ingressos antecipados. Segundo Ilda, a concorrência com a Mostra Internacional de São Paulo, realizada poucas semanas depois da carioca, para exibição exclusiva de filmes não existe de fato, até porque cada evento possui uma personalidade própria.

Montamos a programação em função do que a gente já vive, há anos, que é decorrência das antigas Mostra Rio e Rio Cine. Instintivamente, se faz um festival ao gosto do Rio de Janeiro, e que procura atender as necessidades do mercado local, explica. Partilhamos vários filmes com a Mostra de São Paulo e temos tido uma relação tranquila, mais do que tudo benéfica para os cinéfilos.

Das homenagens que o Festival do Rio montou este ano, Ilda destaca os ciclos dedicados a Derek Jarman, cineasta da história recente do cinema britânico que continua tendo um olhar de vanguarda interessante, e aos irmãos Taviani, realizado graças a um encontro fortuito com os dois no ano passado.

"Favela on Blast" é descrito como um "Buena Vista Social Club" do funk / Divulgação

Também é motivo de comemoração a primeira mostra temática da capital carioca, batizada de Cenas do Rio, que contém seis longas filmados na cidade. No processo de programação, percebemos que esses filmes compõem um quadro do Rio, desde Abaixando a Máquina, documentário sobre fotojornalismo, até Favela on Blast, que funciona quase como se fosse um Buena Vista Social Club do funk, revela a diretora.

Além dos longas-metragens exibidos em Cannes, Veneza e em outros festivais internacionais, ela destaca preciosidades escondidas na programação que merecem atenção. Para tanto, Ilda convoca o público a se aventurar pelas mostras Midnight Movies, Mignight Songs e a investigar o ciclo Foco Reino Unido. Na tradicional mostra Première Latina, por exemplo, tem coisas absolutamente incríveis. Mesmo em filmes com títulos menos tentadores o público pode ir sem medo, porque existem muitas pérolas na programação.

* Com reportagem de Marco Tomazzoni

Cinemas exibidores

- Salas do Circuito Estação (Odeon Petrobras, Espaço de Cinema, Estação Botafogo, Estação Ipanema, Estação Barra Point, Estação Vivo Gávea): R$ 13
- Palácio: R$ 13
- Leblon e Roxy: R$ 14
- Cine Santa: R$ 12
- Centro Cultural da Justiça Federal, Caixa Cultural, Memorial Getúlio Vargas e Ponto Cine: R$ 6
- Cinemark Downtown: política de preços da sala

Sessão popular: R$ 2 (Odeon Petrobras)
Entrada franca: Oi Futuro, Auditório BNDES e Cine Maison

Passaportes [válidos para Circuito Estação]: 50 ingressos (R$ 260) e 20 ingressos (R$ 130)
Venda antecipada: até 01/10, no Espaço de Cinema (Rua Voluntários da Pátria, 35) e Ingresso.com.br (com taxa de conveniência)
Bilheteria: nos cinemas, para as sessões do dia.

* Meia-entrada para estudantes e idosos. Funcionários da Petrobras, OI e BNDES têm 50% de desconto nas salas do Circuito Estação.

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