SOMERVILLE ¿ A banda irlandesa U2 deu um gostinho de como será sua próxima turnê mundial a 950 pessoas, num pequeno show privado, na quarta-feira, no qual os fãs tiveram a oportunidade de fazer algumas perguntas difíceis aos músicos. Entre as revelações feitas em meio ao bate-papo estão que o U2 estuda gravar novas versões para trabalhos antigos, incluindo seu álbum de estréia, Boy, lançado em 1980, e que contém o primeiro grande sucesso da banda, I Will Follow.

"Eu adoraria trabalhar neste álbum novamente e terminar essa música", comentou o vocalista Bono. Ele disse que "Boy" foi produzido às pressas porque eles não podiam "pagar nem mais uma hora no estúdio".

"Os primeiros álbuns têm algumas canções bonitas que nos parecem ter ficado inacabadas," acrescentou. Questionado sobre o que ele gostaria de mudar, Bono apontou seu "sotaque inglês fajuto" em "Boy".

O bate-papo com o público na cidade de Sommerville, no Estado de Massachusetts, aconteceu depois de a banda ter apresentado cinco canções de seu novo álbum, "No Line On The Horizon", que estreou como número 1 das paradas em 30 países, incluindo os EUA e a Grã-Bretanha.

Candidato precoce a maior álbum do ano, "No Line" vem sendo descrito como o mais experimental da banda desde 1991.

A reação da crítica vem sendo sobretudo positiva. A revista Rolling Stone chamou o álbum de "obra-prima cinco estrelas", e a revista especializada Mojo lhe atribuiu quatro estrelas. Mas o influente site de música Pitchfork o considerou "deplorável".

No teatro Sommerville, o U2 apresentou quatro de seus lançamentos: "Get On Your Boots", "Magnificent", "Breathe" e "I'll Go Crazy, If I Don't Crazy Tonight."

Transmitido ao vivo na rádio, o show foi encerrado com "Vertigo", de 2005.

Nos últimos 15 dias o U2 tocou no telhado da BBC em Londres, teve uma rua temporariamente batizada com seu nome em Nova York, e apresentou-se por cinco noites seguidas no "Late Show With David Letterman", da TV norte-americana, um fato inédito.

O show de quarta-feira encerrou um evento de três noites transmitido pela rádio nos EUA, incluindo entrevistas de uma hora feitas em Los Angeles na segunda-feira e em Chicago na terça.

Aproximadamente duas mil pessoas se reuniram do lado de fora do teatro, esperando conseguir dar pelo menos uma olhada de perto na banda. Ingressos para o show foram distribuídos através de promoções na rádio, e também para convidados selecionados pelo selo do U2.

Indagado sobre as canções que nunca iria se cansar de tocar e as que jamais gostaria de tocar novamente, o guitarrista The Edge respondeu:

"Há muitas canções do U2 que fico feliz de não precisar tocar. Mas a questão é que nós ainda gostaríamos de reescrever algumas delas, e quem sabe possamos algum dia relançar alguns de nossos álbuns antigos com algumas mudanças."

A sessão de perguntas e respostas mediada por um repórter da MTV rendeu algumas revelações interessantes.

The Edge revelou que até sua mãe o chama de "The Edge". O baixista Adam Clayton lançou uma farpa contra o roqueiro Sting, dizendo: "O único problema de Sting é que ele é cool demais para ser cool".

E o baterista Larry Mullen Jr. contou que um dos momentos mais memoráveis com a banda foi quando uma mulher subiu ao palco e se algemou à perna de Bono.

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