TV Cultura lança fundo para criar pólo de animação em São Paulo

SÃO PAULO ¿ O diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta, Paulo Markun, apresentou nesta quinta-feira (11) nos estúdios da TV Cultura, em São Paulo, um fundo de investimentos exclusivo para fomentar a animação infantil brasileira. Batizado de Funcine Anima SP, o fundo pretende arrecadar junto à iniciativa privada até R$ 50 milhões em renúncia fiscal e com isso implantar um pólo de animação na capital paulista, com a expectativa de gerar até dois mil empregos.

Redação |

A Lei do Audiovisual permitiu a criação dos Funcines (Fundo de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional), que funcionam como uma espécie de condomínio para levantar recursos junto a empresas, bancos ou qualquer entidade interessada em redirecionar até 3% do valor de seus impostos. O Anima SP terá gestão da Lacan Investimentos, que gerencia projetos similares em diversas categorias, e tem como diferencial a transparência para o investidor, através de uma prestação de contas severa.

A intenção é de que o fundo seja um canalizador entre o capital e a produção, o que sempre é difícil para as artes em geral pela confusão das leis de incentivo à cultura, explicou Luiz Augusto Candiota, representante da Lacan e ex-diretor de política monetária do Banco Central.

O evento para apresentar o Anima SP contou com a presença de integrantes de produtoras locais e pioneiros da animação do Brasil, como o quadrinista Mauricio de Sousa. O criador da Turma da Mônica apoiou o projeto e deu seu depoimento sobre a dificuldade de desenvolver desenhos animados no País. A animação no Brasil sempre foi uma guerra, uma estrada em que não se sabe se conseguiremos chegar ao fim, disse. Possuímos grandes artistas e por isso o Brasil tem tudo para ser um celeiro técnico, mas ainda existem vários obstáculos.

Representante da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPITV), Kiko Mistrorigo defendeu que há anos se percebe o potencial da animação no mercado, mas que até então não havia forma de se apresentar acordos de co-produção, limitado através das leis de incentivo. O fundo trará reais possibilidades de se começar a produzir e olhar a animação como um negócio, afirmou. Markun compartilha o mesmo ponto de vista. A animação não é só entretenimento e cultura: é indústria, mercado, emprego e geração de divisas.

Televisão é o alvo

O Anima SP terá um comitê próprio de gestores para analisar os projetos apresentados à fundação, que atuará como um gerente de conteúdo. O edital com a regulamentação dos projetos será publicado em janeiro de 2009, que vai contemplar obras audiovisuais inéditas, nas faixas etárias de 0 a 6 anos e de 7 a 12 anos. A janela principal para os filmes será a televisão ¿ a TV Cultura terá a exclusividade de ser o primeiro veículo a exibir os trabalhos no País ¿, mas isso não exclui a possibilidade dos projetos preverem derivados voltados ao cinema.

Uma vez selecionados, os candidatos serão cadastrados na Ancine e a partir daí vão poder contar com os recursos. Parte da receita proveniente dos filmes, fruto da venda ou licenciamento, por exemplo, deverá retornar ao fundo para que a verba seja reaplicada em outros projetos. Além disso, uma cláusula prevê que 90% do total arrecadado pelo Anima SP esteja investido depois de 12 meses de captação, o que, segundo os administradores, garante que o dinheiro nunca ficará parado.

Também está previsto um acordo de co-produção de 25% dos projetos com o Canadá, uma das mais fortes indústrias de animação do mundo. O Canadá levou 20 anos para chegar onde está. Se utilizarmos nossa criatividade e potencial, podemos atingir o mesmo nível em cinco anos, apostou Markun. Ele advertiu, porém, para a necessidade de contrapartidas do estado para que a animação possa de fato decolar. O Funcine é um mecanismo de política pública, mas é fruto de uma iniciativa privada. Ele precisa ser acompanhado de centros de treinamento, oficinas para debate de técnicas e linguagens, e da integração entre produtores e universidades, defendeu.

Conforme o presidente da Cultura, até o final do ano cerca de R$ 1 milhão já deve estar captado para o fundo, graças a acertos com grandes companhias brasileiras. Além disso, negociações com o BNDES já estariam avançadas para firmar uma grande parceria. Ao longo de 2009, com auxílio das produtoras interessadas, Markun pretende fazer um corpo-a-corpo com empresários e departamentos de marketing ¿ órgãos que em geral gerenciam o repasse de verbas para a Lei Rouanet ¿ para fortalecer o fundo e alcançar o almejado patamar de R$ 50 milhões.

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