Tumulto marca ação para retirar animais de circo no DF

Correria, agressões e tumulto marcaram hoje a remoção de cerca de 20 animais apreendidos no circo Le Cirque - a 4 quilômetros do Palácio do Planalto - para o Zoológico de Brasília, como parte da Operação Arca de Noé. Um laudo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) determinou a interdição do circo por falta de segurança para o público e maus tratos aos animais, entre os quais duas girafas, cinco elefantes, chimpanzés, pôneis, um rinoceronte e um hipopótamo.

Agência Estado |

Tratadores e funcionários protestaram e tentaram impedir a retirada dos animais.

Os trabalhadores do circo haviam se acorrentado aos rebocadores, mas tiveram as correntes arrebentadas e foram arrastados da frente dos veículos. Artistas do circo, funcionários e até um menor de 13 anos que formavam uma barreira humana para resistir à Operação também foram retirados à força. "É uma arbitrariedade", protestou o advogado Luiz Sabóia, que tentou em vão negociar uma trégua com os fiscais e policiais militares, requisitados para dar suporte à operação.

Sabóia exibia uma liminar da Justiça Cível de Brasília, concedida em 2 de agosto, que considerava as condições de alojamento dos animais satisfatórias e derrubava os efeitos da interdição anterior, emitida pelo Ibama no final de julho. Mas o Ibama fez nova inspeção e emitiu novo laudo. Para o advogado, foi uma "maneira esperta" do Ibama de não cumprir a decisão judicial.

Essa é a segunda vez que o circo é interditado quando se apresenta em Brasília, onde a Câmara Distrital aprovou leis tão rigorosas de proteção aos animais que praticamente tornam inviáveis as exibições em circos. Nas duas vezes, a casa só funcionou amparada por liminar da Justiça. A primeira vez, foi em outubro de 2006.

De origem francesa, o Le Cirque está radicado no Brasil desde a década de 70, com sede em Santa Catarina. O espetáculo é eclético, mas a grande atração da criançada são os mais de 30 animais, das mais variadas espécies. Eles consomem duas toneladas de alimentos por dia e exigem uma logística extraordinária a cada deslocamento.

Teto baixo

O coordenador de Operações do Ibama, Roberto Cabral Borges, reconhece que não falta alimento e água fresca para os animais. Mas os espaços em que eles estavam confinados eram "muito aquém dos limites" previstos nas normas de proteção e o item conforto também "deixa muito a desejar". Além de pequeno, o alojamento das girafas, conforme o laudo, tem teto baixo. Com dez centímetros de altura a menos, o teto obriga os animais a ficarem com pescoço torcido na maior parte do alojamento.

Confinados numa jaula que os deixa com freqüência estressados, os chimpanzés tiveram os dentes extraídos para evitar acidentes com os tratadores ou populares. Quando bebês, chimpanzés são graciosos e afáveis, mas adultos adquirem a força de sete homens e passam a ter dentes poderosos, capazes de decepar a mão de uma pessoa numa mordida.

O Ibama também constatou que os elefantes estavam muito mal acomodados e podiam fugir a qualquer instante. "Eles poderiam facilmente chegar à Esplanada dos Ministérios e causar graves acidentes com populares", disse Cabral. "O perigo era iminente e a gente não precisa esperar o acidente ocorrer para agir", explicou.

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