Tumulto impede saída de Alexandre e Anna Carolina para prestar depoimento

SÃO PAULO - Apesar do forte esquema de segurança na casa do pai de Alexandre Nardoni, ele e sua mulher, a estudante Anna Carolina Jatobá, não deixaram ainda o local por causa do tumulto em frente à residência. Viaturas da Polícia Militar e do GOE foram encaminhadas para dar apoio à segurança contratada pela família.

Redação |

Os dois vão prestar depoimento, nesta sexta-feira, no 9º Distrito Policial do Carandiru sobre a morte de Isabella Nardoni, que foi jogada do 6º andar do prédio em que o casal mora no dia 29 de março. A polícia considera o casal suspeita da morte.

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Bem cedo, o advogado de defesa Ricardo Martins afirmou afirmou ao chegar à casa do pai de Alexandre que as manifestações da população são "ofensivas e humilhantes". Martins pediu para a população e à imprensa "respeito pela família Nardoni e pelo trabalho dos advogados".

"Só tenho uma coisa a dizer, não julguem para que não sejam julgados. É um absurdo ter que contratar seguranças para que a casa não seja invadida", enfatizou o advogado.  

Sobre as manifestações feitas por meio de cartazes colocados na casa, Martins afirmou que são considerados pela família como "ofensivos e humilhantes". 

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá prestarão depoimento separadamente, e não está descartada a possibilidade de uma acareação.

Nesta sexta-feira, Isabella faria 6 anos. A mãe, Ana Carolina Oliveira, foi nesta manhã ao cemitério Parque dos Pinheiros, no Jaçanã, para prestar homenagens à filha.   

Ruas fechadas

Na quinta-feira, a polícia montou um forte esquema de segurança em frente à delegacia com o objetivo de abrigar a imprensa e afastar curiosos durante o depoimento do casal.

A delegacia estará fechada para outros casos. Ela será usada exclusivamente para colher os depoimentos do pai e madrasta de Isabella.

O aparato em frente do 9º DP contará com 100 cadeiras para os jornalistas, grades, duas tendas e quatro banheiros químicos. A rua também será fechada para o tráfego de veículos. Será permitida apenas a entrada de jornalistas e dos moradores da região.

A operação de segurança no 9º DP conta com 11 viaturas do GOE (Grupo de Operações Especiais), 25 policiais do GOE e 15 da Polícia Militar (PM). A Secretaria da Segurança Pública (SSP) não informa oficialmente o número de homens envolvidos na operação.

Contratada pela SSP, a GW, uma das maiores produtoras de televisão do País e que trabalha para o governo estadual há mais de dez anos, gravou o trabalho da perícia policial no apartamento de Alexandre Nardoni e em outras dependências do Edifício London após a morte da menina Isabella. Parte desse material deverá ser apresentado hoje pela polícia durante os depoimentos de Alexandre e de Anna Carolina Trotta Jatobá.

Após a decretação de sigilo das investigações pelo delegado Calixto Calil Filho, as fitas com todo o material foi entregue à SSP, segundo sócios da GW. De acordo com fontes policiais, o resultado do trabalho científico de perícia será utilizado durante os depoimentos do casal, não como forma de fazê-lo entrar em contradição, mas para tentar esclarecer o assassinato.

Moradores reclamam do "circo armado"

Os moradores da rua dos Camarés, localizada na zona norte de São Paulo, reclamam da falta de orientação sobre os procedimentos que deverão ser tomados para entrarem em suas casas durante a movimentação prevista para esta sexta-feira.

"É uma vergonha instalar um circo armado para um assassino. O que ele merecia é o que todo pobre merece, ser julgado como cidadão comum, sem show", disse a dona de casa, Marisa Bíscaro, de 56 anos, que mora em frente ao Distrito Policial.

No entanto, alguns moradores se sentem privilegiados em acompanhar mais de perto o desenvolver do caso. A recepcionista Samara Navarro, de 33 anos, diz que lamenta não poder acompanhar o depoimento do casal pois estará no trabalho.

"Gostaria de acompanhar todo o caso amanhã (nesta sexta-feira). Espero que seja revelada toda a verdade e que ele vá direto para a cadeia", disse a recepcionista vizinha da delegacia.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas, disseram esperar que "a justiça seja feita".

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