O Senado entregou esta tarde à Polícia Federal a documentação referente aos empréstimos consignados dos servidores. O material foi levado pelo senador Romeu Tuma (PTB-SP) ao delegado Gustavo Buker, que conduz o inquérito sobre a participação do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi em um suposto esquema de desvios de recursos ligado a esses contratos.

Esse inquérito foi instaurado em 13 de maio e, apesar de três ofícios da polícia, o Senado se recusava a entregar os papéis. No domingo, O Estado de S. Paulo revelou que a PF e o Ministério Público haviam decidido recorrer à Justiça para conseguir esses documentos. Agora, o delegado Gustavo Buker pretende analisar o material para avaliar se precisará pedir outros documentos.

O inquérito foi aberto porque há indícios de participação do ex-diretor João Carlos Zoghbi num esquema de intermediação e cobrança de propina nas transações do crédito consignado por meio da Contact - a empresa tem como sócia Maria Izabel Gomes, 83 anos, ex-babá de Zoghbi que teria sido usada como laranja. A Contact recebeu pelo menos R$ 2,3 milhões do Banco Cruzeiro do Sul, uma das instituições conveniadas. Zoghbi já confessou que autorizava servidores a tomar empréstimos acima do valor permitido.

A relação dos bancos que concederam empréstimos a cerca de 4 mil servidores é fundamental para a polícia. O delegado precisa deles para cruzar as informações com os papéis que mostram a ex-babá de Zoghbi como sócia da Contact. O Banco Cruzeiro do Sul, uma das principais instituições financeiras que operam no Senado, nega a influência do ex-diretor. Outros bancos também trabalhavam em parceria com a empresa ligada a Zoghbi. Esses documentos darão ao delegado Buquer base para pedir a quebra do sigilo fiscal e bancário de Zoghbi e família, incluindo da mulher, Denise.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.