Tuma corre por fora para viabilizar reeleição ao Senado

Preterido dos planos do PSDB para 2010, o senador Romeu Tuma (PTB-SP) tem corrido por fora para dar viabilidade eleitoral à sua candidatura à reeleição no pleito do ano que vem. Com o aval do PTB para concorrer ao Senado Federal, o ex-delegado tem visitado com frequência as suas bases eleitorais em São Paulo e cumpre agenda de candidato desde o início de agosto.

Agência Estado |

Tuma tem marcado presença em eventos no interior do Estado e ganhou o título de porta-voz do processo de capilarização da sigla, que em menos de três meses inaugurou 15 novos escritórios regionais em São Paulo. A estratégia dos petebistas é persuadir os tucanos de que o senador ainda angaria prestígio nas urnas, o que torna o seu nome viável para disputar uma das vagas de candidato a senador na coligação estadual capitaneada pelo PSDB.

Acompanhada por correligionários, a marcha de Tuma pelo interior do Estado, também alcunhada por petebistas de "caravana do senador", já percorreu os municípios de Bauru, Rio Preto, Ribeirão Preto, Santos, entre outros. As cidades escolhidas foram onde Tuma obteve maioria dos votos quando foi eleito senador pelo DEM em 2002. Até o final do ano, são esperadas mais dez viagens, totalizando 25.

Junto a Tuma, participam da empreitada caciques da legenda, como o presidente estadual do PTB em São Paulo, o deputado estadual Campos Machado, responsável por planejar o trajeto da caravana. As inaugurações dos escritórios regionais contam com a presença de prefeitos e vereadores dos municípios onde a comitiva aporta. "Converso com lideranças locais e com alguns eleitores. São eventos de conciliação", esclarece Tuma.

A iniciativa dos petebistas de convencer os tucanos sobre o potencial eleitoral do senador ganhou força após a divulgação de pesquisa de intenções de voto promovida em agosto pelo Vox Populi que mostrava a competitividade de Tuma nessa disputa. Desde então, com a confirmação de que Tuma seria um nome forte na corrida eleitoral, lideranças do PTB buscam a chancela do PSDB para dar musculatura nas urnas e tempo televisivo à campanha do senador à reeleição.

Uma das duas vagas ao Senado da coligação eleitoral encabeçada pelo PSDB foi garantida ao PMDB, mais especificamente ao ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, que não pretende sacrificar o posto em nome de outro candidato.

A outra vaga vem sendo oferecida, nos bastidores, como uma espécie de prêmio de consolação ao derrotado no embate entre o ex-governador Geraldo Alckmin e o secretário estadual da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, pela indicação do partido à sucessão no Palácio dos Bandeirantes. Caso nenhum dos dois tucanos deseje a vaga, lideranças da legenda antecipam que nomes como o do presidente estadual do PSDB, deputado federal Mendes Thame, e o do secretário paulista de Educação, Paulo Renato Souza, estão à frente do petebista na fila eleitoral.

Vice

Sem a contrapartida do PSDB, Tuma tem sido aconselhado por lideranças tucanas a desistir da aspiração à reeleição ao Senado. Uma das alternativas seria o posto de vice em uma chapa articulada entre as duas siglas para o governo do Estado. De acordo com o vice-presidente do PSDB em São Paulo, o deputado estadual João Carlos Caramez, tanto o PMDB como o DEM não pleiteiam a vaga de vice na coligação governista, posto que deve ser oferecido como moeda de troca pelo apoio dos petebistas. "O PTB é um partido importante e que terá espaço em nossa coligação", garante Caramez.

A proposta não passa pelos planos de Romeu Tuma. Uma das prerrogativas do acordo que costurou a filiação do senador ao PTB em 2007 previa que seu nome fosse lançado à reeleição pela sigla em 2010. "O partido já me deu a palavra de que serei candidato ao Senado Federal", assegurou.

Embora seja também avesso ao lançamento do nome de Tuma ao cargo de vice na chapa tucana ao Palácio dos Bandeirantes, Campos Machado não se mostra tão resistente à proposta tucana. Em entrevista à Agência Estado , o presidente da legenda ressaltou que se empenha em negociar com o PSDB a candidatura do senador à reeleição, mas sinalizou que pleiteia qualquer uma das vagas no "G-4 paulista", termo futebolístico criado por Machado para designar as duas candidaturas ao Senado e as vagas de governador e vice-governador na coligação capitaneada pelo PSDB. "Os tucanos têm um compromisso com o PTB. E creio que uma das vagas no G-4 paulista será oferecida a nós", acredita.

Sem contar com muitas alternativas no ainda incerto tabuleiro eleitoral para 2010, o PTB paulista está em "uma sinuca de bico", na avaliação de lideranças nacionais da legenda. Com a oposição no Estado quase fechada em torno da dobradinha Aloizio Mercadante (PT) e Gabriel Chalita (PSB) para as eleições no Senado Federal, a legenda deve aceitar a vaga de vice-governador em uma eventual chapa com os tucanos. "Não há muitas opções no Estado. O PTB vai ter de ceder para ganhar", confidenciou um dos caciques da sigla.

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