Carta fora dos planos tucanos para as eleições de outubro, o senador Romeu Tuma (PTB-SP) tem se esforçado para ocupar o posto de candidato a vice na chapa capitaneada pelo PSDB ao governo de São Paulo. Com o apoio do seu partido, o PTB, o ex-delegado tem visitado com frequência as suas bases eleitorais no interior do Estado e cumpre agenda de candidato desde o fim do ano passado.

A estratégia dos petebistas é fortalecer o potencial eleitoral do senador para persuadir caciques tucanos de que Tuma ainda tem prestígio nas urnas e daria envergadura ao candidato do PSDB à sucessão no Palácio dos Bandeirantes.

Com esse propósito, o ex-diretor do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) tem marcado presença em eventos do interior do Estado e ganhou o título de porta-voz do processo de capilarização da sigla, que em cinco meses inaugurou 24 novos escritórios regionais em São Paulo.

Acompanhada por correligionários, a marcha de Tuma pelo interior do Estado, chamada por alguns petebistas de "caravana do senador", já percorreu municípios como Bauru, São José do Rio Preto e Santos.

Na manhã de hoje, Tuma inaugurou um novo escritório em Araçatuba e, no final da tarde, deve aportar na cidade de Lins, onde no final de semana cortará a faixa de mais uma unidade da sigla.

A expectativa do partido é de que, até abril, sejam abertos 28 escritórios regionais. "São eventos de conciliação, onde recebo lideranças locais e moradores dos municípios visitados", esclareceu Tuma.

A iniciativa dos petebistas de criar vitrines eleitorais que deem musculatura à eventual candidatura do senador ganhou força após a pesquisa DataFolha de intenções de voto, divulgada em dezembro, indicar Tuma com 27% em uma eventual disputa ao Senado, atrás apenas do também senador Aloizio Mercadante (PT), que atingiu 32%.

A partir de então, Tuma se empenhou em viabilizar a sua reeleição ao cargo. Sem a contrapartida do PSDB, contudo, o senador foi convencido por correligionários a desistir da aspiração ao Senado.

Uma das vagas ao Senado da coligação encabeçada pelo PSDB foi garantida ao PMDB, mais especificamente ao ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, em acordo costurado por lideranças do DEM em troca do apoio dos peemedebistas à reeleição do atual prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab.

A outra vaga é fruto de disputa acirrada entre membros do PSDB, partido que há 16 anos não elege um senador no Estado. "É opinião com ampla aceitação na legenda que é hora de um candidato do partido concorrer ao Senado Federal", afirmou o presidente estadual do PSDB em São Paulo, o deputado estadual Mendes Thame.

A alternativa que restou a Tuma foi pleitear o posto de vice em uma chapa articulada entre as duas siglas ao governo do Estado, opção em que o senador aposta agora todas as fichas. "A minha vontade é ser senador. Mas se o PTB quiser que eu concorra a vice, não me oponho. O que não podemos é abrir mão do G-4 paulista", afirmou Tuma, em referência às duas candidaturas ao Senado e às vagas de governador e vice-governador na coligação do PSDB.

Perguntado se aceitaria o posto de vice de Geraldo Alckmin (PSDB), possível candidato tucano a governador, o senador tergiversou: "Eu me dou muito bem com o Geraldo."

O posto que tem sido vislumbrado pelo senador, entretanto, já é abertamente oferecido por lideranças tucanas ao DEM, mais especificamente ao secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos.

"Ainda não definimos posições, mas o vice deve ser negociado com o Democratas", antecipou o deputado federal Julio Semeghini (PSDB-SP). "Nós temos uma composição que vai visar ao grupo dos candidatos majoritários", completou.

Nos bastidores, lideranças nacionais do PTB já admitem a possibilidade de o partido ficar sem representante na chapa tucana em São Paulo. Sem poder de negociação, os líderes não veem saída para "uma sinuca de bico".

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