A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse nesta sexta-feira que a oposição evita comparar os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Fernando Henrique Cardoso por sentir vergonha da gestão do tucano. Eu preciso comparar. Eu vou fazer o quê? Eu vou fingir que não participei do governo Lula porque os outros têm vergonha de ter participado do governo FHC? Não posso. É subestimar a inteligência do povo, afirmou a ministra, em entrevista concedida por telefone, de Brasília, para a Rádio Capital, de São Paulo.

Para Dilma, a atuação de Lula à frente do País faz parte do "patrimônio" do PT e de seu próprio patrimônio. "A minha biografia se confunde com o governo Lula. Terei orgulho de contar para meu neto, que vai nascer em setembro, que fiz parte desse momento", disse. "Eles (oposição) têm de apresentar o patrimônio deles. Se eles têm vergonha do governo Fernando Henrique, eles têm lá seus motivos."

A ex-ministra discordou da afirmação feita ontem por Lula de que a eleição presidencial deste ano será "fácil". "Toda eleição é difícil. Somos guerreiros. Vamos brigar até o último momento." Para a pré-candidata, no entanto, o PT nunca esteve tão "preparado e amadurecido". "Nosso patrimônio, tudo o que fizemos de bem para o povo brasileiro, torna nossa caminhada mais fácil."

Apelidada de "mãe do PAC" por Lula, Dilma disse que, se eleita, será "mãe, irmã, companheira" de todos os brasileiros. "O governo tem de olhar para todo o Brasil, com olho de mãe, porque mãe cuida, mãe protege." A petista afirmou que o presidente teria papel de "conselheiro" em seu governo. "Meu projeto tem um líder, que se chama Luiz Inácio Lula da Silva."

Lula, contou Dilma, está empenhado agora em torná-la uma torcedora do Corinthians. A ex-ministra torce para o Atlético Mineiro e para o Internacional. "Sou mineira e gaúcha", justificou. "Mas o presidente é uma pessoa sedutora e com imensa capacidade de convencimento. Estou com um pezinho na torcida corintiana."

Comparação

Durante os 40 minutos de entrevista, Dilma insistiu na comparação entre as gestões petista e tucana e argumentou que isso não a impede de olhar para o futuro. "Somos capazes de avançar porque já mostramos do que somos capazes."

A petista classificou como "crisezinha" a turbulência econômica ocorrida durante o governo de Fernando Henrique. "Eles pegaram uma crisezinha. Nós pegamos a maior crise depois de 1929." Para Dilma, o Brasil superou a crise de 2009 porque tinha reservas e "não deixava mais o Fundo Monetário Internacional (FMI) mandar na nossa política interna".

Ela voltou a diferenciar o racionamento de energia ocorrido na administração de FHC com o blecaute do governo Lula e disse que o País não corre risco de ficar sem energia. "Hoje, posso assegurar: o Brasil tem energia suficiente e de sobra para crescer. Isso deixou de ser problema quando nós começamos a planejar, gerir e fazer obras", afirmou. "Racionamento, ou seja, apagão, dura oito meses. Desligamento ou blecaute é recomposto em cerca de uma hora."

Dilma negou que o Bolsa Família seja uma compilação de programas criados por FHC e afirmou que os investimentos na área do governo anterior eram insuficientes. "Antes faziam esses programas com pouco recurso, então não dava para ninguém. Uma dona de casa com quatro filhos ou comprava comida ou botijão de gás ou pagava passagem de ônibus", disse. "Nós colocamos muito mais dinheiro."

A pré-candidata tomou para o governo federal a paternidade de projetos, com verba da União, que se tornaram bandeiras políticas do presidenciável do PSDB, o ex-governador paulista, José Serra. "O Rodoanel foi feito com participação do governo federal. No Trecho Sul colocamos R$ 1,2 bilhão. Foi uma parceria com o governo do Estado", disse. Em outro trecho da entrevista, citou o Rodoanel como exemplo das realizações da gestão Lula.

Dilma fez questão de destacar o investimento de R$ 335 bilhões dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinado a São Paulo e lembrou que, dentro do PAC 2, há R$ 11 bilhões previstos para a prevenção de enchentes. "São Paulo levou o maior volume de recursos do PAC. Fizemos obras caríssimas."

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