Tuberculose é maior risco a morador de rua

É como uma outra cidade dentro de São Paulo. Estima-se que sejam cerca de 13 mil pessoas, população maior do que a de 58% dos municípios do País. Todos moradores de rua.

Agência Estado |

Carregam mais do que o estigma de serem os não-cidadãos da metrópole, levam o peso de problemas como o alcoolismo, uso de drogas, violência e a incidência de tuberculose até 60 vezes superior à dos brasileiros.

Levantamento inédito da Secretaria Municipal da Saúde, feito a pedido do Estado, apontou os principais problemas que atingem os moradores de rua da capital. Álcool e drogas estão no topo da lista. O uso de drogas é um problema coletivo, faz parte de um processo de inserção no circuito da rua, diz o sociólogo Rubens Adorno, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP. Em seguida, e associadas à dependência química, estão as doenças mentais, o que torna a abordagem mais complicada. A saída em São Paulo foi adaptar o Programa de Saúde de Família (ESF) para essa população.

Praça da Sé, Parque D. Pedro, Praça da República e Glicério, em qualquer desses lugares os problemas são os mesmos. Além do álcool, drogas e problemas mentais, doenças sexualmente transmissíveis, hipertensão e diabete, e o que mais preocupa os especialistas, a tuberculose.

A doença, que tem prevalência de quatro casos para cada 10 mil habitantes no País, chega a ser até 60 vezes mais frequente entre os moradores de rua. Pesquisa realizada por Adorno, com dados de 2005, apontou o resultado alarmante. Faltam estudos mais amplos e recentes sobre o tema, mas a percepção dos especialistas é uma só: trata-se de problema urgente.

Sendo totalmente conservador, diria que hoje a prevalência da doença é, no mínimo, dez vezes maior entre os moradores de rua, diz o epidemiologista Paulo Lotufo, diretor do Hospital Universitário da USP.

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