Em reação às ameaças feitas por traficantes e integrantes das milícias a eleitores, políticos e jornalistas, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizaram hoje (14) o presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, a requisitar tropas federais para ajudar na segurança do Rio de Janeiro durante o período eleitoral. De acordo com a decisão do TSE, Ayres Britto consultará o governador do Rio, Sérgio Cabral, antes de solicitar o auxílio das Forças Armadas e da Polícia Federal.

Mas, mesmo se Cabral for contra, o presidente do TSE deverá requisitar a força federal.
O TSE tomou a decisão depois de um longo debate entre seus ministros.
Ayres Britto relatou que esteve no Rio e conversou com as autoridades locais sobre as ameaças. De acordo com ele, o governador do Rio é a favor da ajuda que seria feita por uma "coalizão de forças federais (Exército, Marinha, Aeronáutica, Força Nacional de Segurança e Polícia Federal)".
Segundo o presidente do TSE, o processo eleitoral no Rio passa por um momento conturbado. Ayres Britto afirmou que a atuação dos traficantes e dos integrantes das milícias, intimidando as pessoas, está atrapalhando o exercício do direito de votar livremente, de fazer uma campanha e de informar. Ayres Britto disse que é importante garantir o livre exercício do voto, das campanhas e da imprensa. "A situação do Rio de Janeiro demanda a presença das forças bem antes do dia da eleição", afirmou.
Ayres Britto esteve no Rio na última segunda-feira e se reuniu com as autoridades do Estado. Segundo ele, o Judiciário dará prioridade à análise de inquéritos sobre a atuação das milícias e dos traficantes e as respectivas tentativas de intimidar eleitores, políticos e jornalistas. Ele também afirmou que os candidatos poderão pedir escolta para fazer a campanha em locais de risco.
Na semana passada, o TSE autorizou o envio de tropas federais para reforçar a segurança nas eleições de 95 dos 143 municípios do Pará. De acordo com a secretária de administração do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Pará, Janilze Santos, o reforço das Forças Armadas é necessário para evitar situações de conflito. Segundo ela, em eleições anteriores foram registradas ocorrências que conturbaram o processo eleitoral. "A presença da Força Federal visa a tranqüilidade das eleições no Estado do Pará, o qual é conhecido pelos conflitos fundiários", afirmou a secretária.

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