Um estudo do Hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, com o objetivo de reduzir o tempo do tratamento da tuberculose - dos 6 meses habituais para 2 -, atingiu bons resultados por meio da troca de um dos medicamentos. Hoje, até 30% dos pacientes contrariam ordens médicas e param de tomar os remédios ao se sentirem melhor, o que ocorre após as primeiras oito semanas.

O abandono do tratamento é um dos fatores que contribuem para os números altos da tuberculose no País. Apesar da melhora progressiva dos índices, são 90 mil casos anuais, o que coloca o Brasil entre 22 países que concentram 80% das ocorrências. O Rio é um dos Estados com maior incidência, sendo que a favela da Rocinha concentra mais casos.

Os doentes têm de tomar seis comprimidos, fornecidos pelo Ministério da Saúde, por 180 dias. As substâncias são a hidrazida, a rifampicina, a pirazinamida e o etambutol. Os testes em 170 pessoas mostraram que a substituição do etambutol pela moxifloxacina, normalmente usada para tratar pneumonia e sinusite, possibilita uma resposta mais rápida. “Combinada com as outras substâncias, a moxifloxacina mata mais bacilos, e mais rapidamente”, diz o médico Marcus Conde, do Instituto de Doenças do Tórax do Hospital da UFRJ e um dos coordenadores da pesquisa.

Segundo Conde, após dois meses, a cultura de escarro do grupo que tomava os medicamentos utilizados habitualmente se tornou negativa para a doença em 68% dos casos; o índice entre os que receberam a outra combinação ficou em 82%. O estudo está sendo publicado nesta semana na revista The Lancet . Uma nova fase, com 210 pessoas, começa em julho. Uma parte dos pacientes tomará os medicamentos usuais; para a outra serão dadas moxifloxacina e rifapentina - este um antibiótico usado contra a tuberculose com menos frequência -, entre outros. Conde espera que até 2016 seja possível encurtar o tratamento.

Resistência

Segundo especialistas, a desistência de se tratar é perigosa porque, sem os remédios, os pacientes correm o risco de se tornar resistentes. Pior: eles podem passar a transmitir bacilos resistentes por meio da tosse, espirro ou fala a outros. Por causa disso, pesquisadores de vários países se empenham para chegar a formas de acelerar o tratamento. O infectologista Reynaldo Dietze, coordenador de Ensaios Clínicos da Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose, lembra que, entre as doenças infecciosas, a tuberculose é das que têm cura mais demorada. Ele diz que muitos pacientes deixam o remédio de lado por serem dependentes de álcool e temerem possíveis efeitos.

Roberta Pennafort

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